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Cinema e música: mamma mia, que dupla!

Outro dia disseram que sou exagerado. Na mesma hora pensei: que absurdo é esse? Nunca ouvi nada tão irreal. Me chamarem de exagerado é certamente a maior injustiça do mundo. Àquelas palavras entraram em meus ouvidos como se fossem flechas incandescentes embebidas no mais doloroso veneno e, então, imediatamente concluí: não é que sou mesmo?

Mas a questão é a seguinte: uma atriz perfeita em uma interpretação magnífica, um elenco todo de primeira linha com atuações excelentes com dois ou três destaques positivos, um cenário de uma beleza incomensurável, uma história rica, triste e engraçada ao mesmo tempo, 52 milhões de dólares e uma trilha fantástica são fatores suficientes para se fazer um bom filme? São. E com
todos estes "detalhes" não fizeram somente o bom, fizeram o ótimo, o excelente. Mamma mia entra definitivamente para minha lista dos dez melhores filmes que já vi ( esta lista é um tanto diferente e necessariamente freqüentada pelo que ando vendo de melhor. Ela é versátil e se modifica constantemente e nunca nenhum filme sai, somente entra, por isso tem mais participantes do que o título anuncia ) e quase entra na dos três melhores ( outra lista também um tanto diferente, onde para um entrar outro tem que sair. Atualmente ela é composta por Pulp Fiction, Inconscientes e o Império do Sol).

O musical começa alegre e termina mais alegre ainda. A excelente música do Abba não deixa a peteca cair durante a quase uma hora e meia que mais parecem alguns minutos. Meryl Strip está simplesmente adorável e linda. Parece uma menina. Sempre afirmo que é garantido em musical bons atores, mas Mamma mia abusou. Não há nenhuma interpretação distoante pelo lado negativo. Colin Firth ( o eterno namorado da Brigit Jones) tem uma atuação estupenda. A lindíssima Amanda Seyfried está estonteamente bela. Enfim, nenhum compromete e todos somam.

Não à toa foi a maior largada de um musical no final de semana de estréia alcançando mais de U$ 27 milhões na bilheteria. Não causa surpresa, apesar do gênero não ser dos mais populares.

Minha vontade é contar toda a trama, detalhe por detalhe, música por música, mas não vou ser tão desagradável assim. Sequer vou dissertar sobre detalhes técnicos. Nada deve ser adiantado. O máximo que vou dizer é: vejam o que deve ser o melhor musical de todos os tempos. ( Se eu tivesse uma lista de musicais ele estaria lá). É um imperdível momento de graça que a humanidade consegue produzir. O mesmo povo que faz algo tão singelo e belo não pode ser mau. Saí do cinema mais confiante, mais esperançoso, mais feliz.

Áh, isso tudo sem exagero algum.





Intocáveis

Existem duas reações básicas e distintas quando gosto muito de um filme: ou saio do cinema com muita vontade de falar sobre cinema, ou, acreditem, saio com vontade de falar sobre temas menos telúricos, mais, digamos, abstratos.
Pois ao assistir o excepcional Intocáveis, para não perder o trocadilho, uma irretocável produção francesa, saí do cinema com vontade de fazer as duas coisas. Isso foi inédito em minha história cinéfila. Minha vontade era falar sobre a montagem simples e eficiente, dos atores, os dois principais, dignos de um oscar cada um, da bela Paris, muito bem retratada na fotografia de muita qualidade, mas, era também de dissertar sobre como o riso é fácil quando acontece em cima do drama, e, ao mesmo tempo, como o choro é solto quando drama não perde o  humor. Resumindo - algo impossível - em uma frase somente, eu diria, sem medo, que é uma comédia onde se ri dezenas de vezes e chora-se outras tantas.
O filme consegue unir riso e choro quase que em uma coisa só. Consegue fazer uma crítica ferrenha, mas ao mesmo tempo sutil, à arte, desde a clássica até a moderna. Consegue unir o rico com o pobre e mostrar a dependência recíproca, o útil ao obsoleto, o preto com o branco, a paz com o conflito, enfim, consegue uma junção de coisas diferentes e muitas vezes antagônicas, dentro e fora da tela.

O Lutador


A rigor, a única saída para não envelhecer é a morte.

Escrevi um conto chamado Senectude onde tentei falar sobre isso. Na verdade, já escrevi inúmeros textos a respeito. Este é um tema explosivo principalmente para quando não se tem mais 20 anos, mas o que me leva a insistir nele não é propriamente o tema, e sim as sequelas impostas pelo tempo. Cabe a nós decidirmos se iremos ou não ficar velhos? É pertinente não aceitarmos as limitações óbvias que chegam junto com a experiência? Enfim, o que fazer quando começamos a ficar decreptos? Aceitar? Creio que especular qualquer resposta seja uma incongruência.

Pois em O Lutador, um fantástico filme de Aronofsky, com custo estimado em modestos sete milhões de dólares, estrelado por Mickey Rourke no papel de Randy o Carneiro Robinson (sou admirador do trabalho deste boxeador/ator desde o Selvagem da Motocicleta, e já ouvi muita crítica por isso), não tem essa pretensão. Com o estilo câmera na mão em boa parte dos 115 minutos, em algumas cenas literalmente ela tem que sair da frente do protagonista, sem aquelas tremidas que chegam a nausear e uma trilha sonora generosamente formada, o longa consegue com um argumento bastante comum simplesmente contar uma história e agradar muito. Apesar do lutador em fim de carreira, da prostituta boazinha - com excelente atuação de Marisa Tomei - do abandono da filha revoltada, com toda razão, o filme traz o novo e torna-se surpreendente. Aliado a isso, uma interpretação impecável, comovente, verdadeira e genuína de Rourke, que não ganhará o oscar, a fotografia de cores esmorecidas, que deixa o brilho somente para o que deve cintilar, e também a audaciosa direção de Aronofsky faz dele um dos melhores filmes que já assisti e entra para minha seleta lista dos três melhores, tirando o lugar do Império do Sol e fazendo companhia para Pulp Fiction e Inconscientes. Enfim.

Um detalhe: quando Rourke começa a trabalhar em um balcão de frios de um supermercado e no seu primeiro dia, depois de colocar o crachá e a touca, caminha por corredores estreitos para começar o atendimento é, sem dúvida, uma das melhores cenas que o cinema mundial produziu, com um efeito sonoro perfeito. Só ela já vale o filme todo. Chega. Não vou contar mais nada. Ao cinema!

A propósito, Carneiro escolhe não envelhecer.

Bastardos Inglórios

Quando eu era menino, esperava ansiosamente pela visita do Papai Noel. Lembro que de Novembro em diante, meus "modos", que não eram lá o que se poderia chamar de bons, mudavam completamente. De moleque travesso a um pequeno Lord inglês em um passe de mágica. Confesso que depois da visita do bom velhinho, ficava calculando se tinha valido a pena todas aquelas semanas de comportamento exemplar e, na maioria das vezes, concluía que não.
Pois acontece algo parecido nos dias de hoje. Fico ansioso esperando um novo filme do Tarantino. Acompanho as informações da mídia, os detalhes na internet e crio uma expectativa enorme. Acho que inclusive me comporto melhor. Algumas semanas antes da estreia não piso em formigas, ajudo velhinhas a atravessar a rua e não faço gozações futebolísticas com os azuis sulistas, pelo menos até a hora de ir ao cinema que, enfim, chegou.
Bastardos Inglórios.
Deixei um parágrafo só para o nome, pois não é somente um filme. É uma homenagem ao cinema em geral. É uma ode a esta grandiosa arte. Um verdadeiro espetáculo.
As interpretações de todo o elenco, especialmente de Christoph Waltz (como o caçador de judeus Coronel Landa) e da judia Mélanie Laurent (como proprietária do cinema onde ocorre o desfecho do filme) são fantásticas, lindas, soberbas. E, além deles, ainda tem o Brad Pitt, como sempre, inigualável e inconfundível.
Para não ser longo e nem "desmancha prazer", não vou contar nenhuma das quarenta cenas inesquecíveis do filme. Nem a que dois nazistas conversam sobre o destino da Bridget (Laurent) e a câmera mostra somente os olhos - lindos - da atriz reagindo a conversa. Nem quando o belo rosto da nossa heroína, em gargalhadas, é projetado na fumaça que acabaria matando a cúpula nazista, e muito menos o imperdível diálogo entre o chefe dos Bastardos e o Coronel Landa, na hora da revelação final, no desfecho de tudo. Não vou contar nada. Mas, para não ficar sem assunto, falarei de listas (desculpem os leitores antigos, mas preciso explicar).
Pois tenho três: uma dos dez melhores, onde nenhum filme sai, somente entra (o que faz que esta lista tenha muito mais participantes do que anunciado no título); dos dez piores, o mesmo princípio; e a dos três melhores de todos os tempos, onde para um entrar, outro tem que sair. Portanto, é com muito pesar que retiro um Tarantino para por outro: sai Pulp Fiction e entra Bastardos Inglórios, para fazer companhia a Inconscientes e O Lutador. (Já fizeram parte dessa lista os saudosos Império do Sol, O que fazer em caso de incêndio e o Expresso da Meia-Noite)
Só existe uma coisa a se fazer quando o (disparado) melhor filme do ano está em cartaz: ir ao cinema. Preparem-se para cenas fortes, sádicas, engraçadas, hilárias, cínicas e, principalmente, bem-feitas. Preparem-se para uma direção perfeita. Preparem-se para um filme com recursos inovadores, para o que de melhor se produz para a telona. Preparem-se para Tarantino!
Concluo: valeu a pena ter ajudado as velhinhas. O resultado disso é que Quentin é melhor, ou "mais bonzinho", que o papai Noel? Sei lá.
Mas, a partir de agora, cuidem-se formigas!
(ão, ão, ão, segunda divisão)
Afinal, voltei!



Presságio

Tem coisas no cinema realmente que não entendo.
Por que um ator que em início de carreira é capaz de abdicar de um sobrenome famoso (Coppola) e sobreviver somente pelo seu talento, que é saudado em todo o meio como um dos melhores do mundo, que é reconhecido pelo esforço e dedicação (dizem que já engoliu uma barata viva em cena), que teve uma das melhores interpretações da história do cinema em Despedida em Las vegas, que ganhou oscar de melhor ator, que tem inúmeros excelentes diretores sempre o convidando para trabalhar, faz filmes como Presságio?
No trabalho anterior, Perigo em Bangkok, já fiquei contrariado. Um bom elenco e um bom diretor em um filme ruim. Coisas do acaso, pensei. Mas agora é demais. Presságio é uma mistura de terror, suspense e filme de "fim de mundo" com o final mais patético que vi até hoje. É verdade que existem alguns bons efeitos especiais, mas não o salva da ruindade.
Começa até bem. Há cincoenta anos, quando enterram uma capsula com alguns desenhos de crianças dentro, para ser explorada nos dias atuais. Pois uma menina coloca uma série de números que, sabe-se depois pela descoberta de nosso herói, tratam da data e a localização de desastres, além da quantidade de vítimas. Bem, aí a coisa toma outra dimensão. Aparecem no filme os tais 'seres sussurrantes', sempre com capotes escuros, seguindo o filho de Cage e a neta da menina dos números. Várias cenas desordenadas e sem função alguma acontecem até o grande desfecho: o apocalipse. Com data marcada e revelado na tal lista. Os seres sussurrantes nada mais são que extra-terrestres que vem buscar o casal de crianças para dar continuidade a nossa valorosa raça. Claro que só salvam horas antes do fim de tudo e sabe-se lá por que ficam feito zumbis o tempo todo. Nem imagino também a razão das revelações através dos números.
Agora o pior. Depois das cenas de destruição da terra, o grande final: o casal de crianças, com roupas claras, provavelmente de linho, é deixado em um planeta com um ambiente amarelado, aquecido, limpo, e ficam sobre o que parece ser um trigal de onde saem correndo em direção a uma árvore única. Ou seja, Adão e Eva.
Definitivamente na minha lista dos Dez Piores Filmes. Eu tenho paciência para essas coisas? Não, não tenho, mesmo com alguém como o Nicolas Cage por perto.
Mas a questão continua sem resposta. Qual a razão dele fazer um filme desses? Dinheiro? (O orçamento foi de 50.000.000 de verdinhas) Creio que não. Tem pessoas que tem mesmo adoração pelo trash cultural. Eu até curto algumas coisas, muito de leve e tal. Mas fazer parte, sei não. O cara tem que ter aquilo roxo, como diria o Collor, e o Nicolas tem. É a única razão que encontro. Ele é dado a essa excentricidade.
Olha que legal: falei em trash e lembrei do Collorido.
Mas, enfim, poupem o dinheiro do ingresso.


174 - Nossa maioridade cinematográfica?

Como sou detalhista quando falo em cinema, vou iniciar por uma crítica. Última Parada 174 começa com um erro linguístico: gírias. A usada por um traficante na década de 80 é a mesma usada nos morros dos dias de hoje. Se existe algo que evoluiu (involuiu?) - melhor afirmar que modificou - nos últimos tempos foram as gírias e suas deturpações. Como ela acontece em todo o filme, esta falha incomodou um pouco. Fora isso, temos um belo exemplo de como se fazer cinema, principalmente com atores com pouca bagagem.
É muito estranho ir ao cinema sabendo o final, como se ele já tivesse sido contado pelo chato de plantão. Mais ainda se todo o enredo for conhecido. O chato era especialista e revelou tudo, cada detalhezinho. Isso seria naturalmente suficiente para estragar qualquer prazer na sala escura. Mas Bruno Barreto consegue, de maneira criativa, superar o fato da história ter saído em todos os jornais do país centenas de vezes por ter realmente acontecido na bela cidade do Rio de Janeiro. Consegue também fazer um filme longo (114 min) passar rápido. É bem montado, tem uma fotografia muito boa, mostra nossa desgraça (e talvez de todo o planeta) e, provavelmente por isso, não será escolhido pela Academia como melhor filme estrangeiro, caso chegue lá. Creio que seja basicamente uma obra adulta, amadurecida.

Mas 174 é daqueles filmes que não incentivam a falar de cinema. Apesar dele estar na Lista dos 10 melhores (esta lista é aquela em que nunca sai nenhum título, só entra) minha vontade é de calar sobre arte e gritar sobre política. Não vou fazer isso também, por que ainda antes dela estamos nós, pessoas comuns, que vivemos e co-produzimos nossa própria degeneração, seja fumando um baseadinho, dando uma esmola, fechando os olhos para uma criança bebendo ou até mesmo votando errado. O rol de coisas absurdas que fazemos, conscientes ou não, que contribuem para o pó mandar nos morros é enorme. Nossa ajuda é fundamental para os traficantes se armarem, corromperem ainda mais polícia e judiciário e administrarem comunidades inteiras com mão-de-ferro, lugares onde nossas leis valem o mesmo que o caráter dos corruptos. São juízes e algozes e, contraditoriamente, vítimas. O ciclo começa cedo e termina também cedo. É breve mas, como a natalidade é enorme e descontrolada, nunca falta mão-de-obra, digamos, qualificada. Somos todos atingidos. Quase todos coniventes. A maioria culpados.


Provavelmente eu não saiba como resolver isso. Talvez eu tenha algumas poucas e discutíveis idéias para amenizar, outras poucas para não agravar ainda mais o problema e uma única certeza: ver a novela das oito não ajuda em nada. Absolutamente nada. Até por que ela foi feita para não olharmos nem pela janela, mesmo que - e provavelmente - através de grades.



Da próxima vez irei em uma comédia romântica. Com Meg Ryan.





Objetividade Feminina e Artimanha para a Sobrevivência


O importante é ser feliz.
Sempre digo isso quando estou feliz. Quando estou bem de saúde, afirmo que o importante mesmo é ter saúde. Ou quando estou com amigos, comemorando algo, não tenho dúvidas que importante mesmo são os amigos. O mais incrível disso tudo é que não são mentiras, mesmo variando significativamente sobre o mesmo tema. São, basicamente, formas oportunas para facilitar a vida, o viver, enfim, a sobrevivência. O fato de termos algo importante a nosso favor facilita tudo. E muito. Simples artimanha.
Com o passar do tempo vamos adquirindo rugas e gorduras, mas também técnicas que, se não compensam, ficam ali-ali com o que de ruim vem junto com a idade.
A forma peculiar que as mulheres têm, por exemplo, de se comunicar. É fantástica, curiosa e até possui alguma graça, mas, isso não nos isenta de tomarmos alguns cuidados sob o risco de nos transformarmos em imensas orelhas. Foi assim:
- Sabe que o sódio retêm líquidos e que a organização mundial da saúde - neste instante, antes de qualquer vírgula, olhei para aquele ponto obtuso entre os olhos verdes e lindos e fiquei calculando as chances do meu time chegar ao título. Fiz dezenas de simulações, coloquei zagueiros em campo (eles não existem no elenco) e concluí que não teria jeito. Refiz todos os cálculos para chegarmos no G4, que nada mais é do que garantir a classificação para a Copa Libertadores da América do ano que vem, e concluí que com apenas um zagueiro isso já seria possível. Minha alma deve ter sorrido, mas eu continuava com o mesmo olhar do começo, com a expressão impassível, cordata. Lembrei que estavam passando dois filmes argentinos nos cinemas que eu precisava ver de qualquer maneira, relembrei algumas das melhores películas dos "hermanos" , reformulei algumas resenhas e imaginei outras tantas e, por fim, fiz mentalmente uma lista de coisas que precisava comprar até o final do ano, primeiro em ordem de importância e depois de preço. Quando comecei a lembrar algumas cenas da Bruna Surfistinha o sinal de "perigo" soou e, prudentemente, voltei a ouvir - ... pode aumentar substancialmente a pressão arterial.
Imediatamente reagi, com a expressão dividida entre interessado e preocupado, e falei:
- Resumindo?

Objetividade feminina e artimanha para sobrevivência



O importante é ser feliz.
Sempre digo isso quando estou feliz. Quando estou bem de saúde, afirmo que o importante mesmo é ter saúde. Ou quando estou com amigos, comemorando algo, não tenho dúvidas que importante mesmo são os amigos. O mais incrível disso tudo é que não são mentiras, mesmo variando significativamente sobre o mesmo tema. São, basicamente, formas oportunas para facilitar a vida, o viver, enfim, a sobrevivência. O fato de termos algo importante a nosso favor facilita tudo. E muito. Simples artimanha.

O Rio Grande do Sul tem um grande passado pela frente



O meio literário aqui no famigerado Rio Grande (a saber, possivelmente o único lugar do planeta onde comemora-se uma guerra que foi perdida) é uma lástima. A podridão que ronda as letras são mais putrefatas do que os porões do Distrito Federal. É uma panelinha insuportável, com gananciosos protegendo gananciosos, deixando bem intencionados a verem navios.
A imprensa  em geral só piora o que já é péssimo. Cito como exemplo a RBS, uma gigantesca e poderosa medusa, com tentáculos em todas as áreas, que conduz a informação em um ritmo de agiotagem e perpetua um círculo vicioso e horrendo, onde seus asseclas entrevistam-se e promovem-se (uns aos outros, para deixar claro) à exaustão, como se nada mais houvesse de interessante na área cultural além de seus domínios, deixando toda a produção artística de um estado inteiro em segundo plano. Existe o falatório, inclusive, de que foram ganhos prêmios importantes por funcionários do grupo, em concursos que empresas do conglomerado eram patrocinadoras. Não creio, seria um escárnio muito grande. Não raro encontrar, também, pessoas ligadas a mega-anunciantes como colunistas, bloguistas, sei lá mais o que, com destaque mais que relevante. Crime? Claro que não. Moralmente correto? Claro que não. Enriquecedor para a cultura em geral? Melhor nem responder.
É pouco? Pois tem mais: não bastasse nossa (dos gaúchos) soberba, que expõe o ridículo do que chamamos 'tradição' e - chega a causar-me náuseas - dos tais ideais farroupilhas (referências àquela guerra em que fomos derrotados - iniciada por estancieiros reclamando do preço dos impostos sobre o charque e terminada com uma traição que condenou à morte os guerreiros negros, escravos que lutavam em troca da promessa de liberdade); não bastasse também a já referida imprensa, viciada e corrompida em último grau e a panelinha do meio literário, ainda temos o que certamente é o pior governo que este estado já elegeu. Beiramos a um descompasso oligofrênico com atitudes arrogantes da governadora e um troca-troca de políticos e cargos de fazer inveja a um Bradesco da vida, convivendo com acusações de corrupção que povoam as páginas sujas da imprensa, quase que mensalmente, além do sucateamento absoluto da área cultural. Eu presenciei, por exemplo, a secretária de cultura do estado levar pessoas para ovacioná-la na abertura da feira do livro (2008). É aceitável algo assim? Quando vi um grupo de jovens, todos sentados juntos aplaudindo efusivamente a representante do governo, ousei perguntar com quem haviam ido. A resposta foi direta: com a secretária. Eram estagiários.
Pouco? Pois ainda tem mais. Muito mais. Estamos doentes, somos biltres e nos vemos deuses. Somos como nossa mandatária, arrogantes; somos megalômanos, exibidos e racistas. Somos gananciosos e não temos vergonha, afinal, nos vemos deuses. Nos intitulamos os mais politizados (é piada? Só pode ser), os mais bonitos, os melhores, os mais machos, enfim... e somos verdadeiramente um bando de preconceituosos com sérios problemas de autoafirmação.
Tenho mais leitores em Recife, uma cidade que fui uma única vez de férias e não conheço ninguém, do que em Porto Alegre, onde moro há trinta anos, trabalho, estudo e tenho dezenas de amigos. Sinto orgulho disso. Provavelmente depois desse texto, terei mais leitores em qualquer lugar do que aqui, mas, creiam, sentirei orgulho também.
Não quero compactuar com o que considero errado. Não pertenço a essa corja. Não quero essa gente. O resultado de tudo isso? Desânimo. Vontade nem de escrever lista para as compras.
Um único senão: como em tudo mais, claro que a generalização é covarde e errada. Mas creio que ficou explícito que falo do que chamamos de "formadores de opinião", dos poderosos, dos donos da mídia, dos patrões do cabresto cibernético, e não do povo, suado e trabalhador, que em sua maioria, nem acesso à cultura possui. Se bem que... Deixa assim.
Desculpem os leitores (principalmente meus amigos portugueses e africanos) pelo assunto tão local e com um foco tão miúdo, mas, encarem isso como um desabafo, uma carta de rompimento. Relevem também, por favor, meu "azedume".
A frase do título, infelizmente, não é minha. Mas vou adotá-la.


El Secreto de sus Ojos


Confesso: sempre fui um admirador do cinema argentino.
Fui ver O Segredo dos Seus Olhos (direção de Juan Campanella) e saí do cinema com várias certezas. A primeira delas é que minha admiração não é à toa. Nossos queridos hermanos fazem cinema com a mesma facilidade que Maradona fazia estrepolias com a bola nos campos  de futebol mundo afora. Eles estão, sem dúvida alguma, um pouco adiante do que nós - brasileiros da área cinematográfica, mergulhados em soberba - em se tratando da belíssima sétima arte. Conseguem, com pouquíssimos recursos, filmes de primeira linha, candidatos ao que há de melhor a nível mundial.
O Segredo dos seus olhos tem de tudo: humor, drama, romance, suspense, crime, amor, amizade, política, crítica, dor e literatura. É verdade que não tem gente explodindo, corrida de carros nem luta de espadas, mas, mesmo assim, é um filme completo.
As mais de duas horas passam como poucos minutos e as interpretações, principalmente de Soledad Villamil (linda, madura e perfeita), conduzem a trama de forma espetacular. Ricardo Darín, o protagonista, também não deixa por menos e cria um personagem complexo e humano, tornando o espectador um cúmplice, fazendo de seu próprio desejo o querer de todos. Essa aliança traz excelentes resultados e torna o que já era ótimo em algo ainda melhor.
O mais interessante é que um dos fatores responsáveis pelo sucesso do filme é algo simples: isso mesmo, a simplicidade. A montagem, o roteiro e a direção, apesar de espetaculares, são o básico, o legítimo feijão com arroz. Acreditem, esse é o segredo para uma obra inigualável. Claro que a diversidade, ressaltada acima, contribui de maneira contundente, mas sem a maneira "argentina" de fazer cinema, que adota o simples como guia mestra, toda essa riqueza poderia estar em risco de não produzir essa verdadeira obra-prima.
Caso O segredo dos seus olhos não ganhe o Oscar, não bradarei por justiça, pois o motivo será a maquiagem, principalmente nas cenas finais do filme (do assassino e de seu carcereiro, a vítima), que deixou muito a desejar. Muito mesmo, infelizmente. É um daqueles detalhes que podem por um projeto vencedor no inaceitável segundo lugar. Uma lástima.
E, para terminar, apenas mais duas certezas: uma é que ele entra para minha lista dos três melhores filmes (um rol onde para entrar um, outro tem que sair), tirando o lugar do fantástico O Lutador, fazendo companhia a Bastardos Inglórios e Inconscientes; e outra é que este filme não pode ficar sem ser visto, portanto, ao cinema aplaudir nossos vizinhos. E, de preferência, aprender com eles.

Quem quer ser um milionário?

Lembro quando aconteceu aquela tragédia do avião da Gol, técnicos afirmaram que, além de fatalidade, o acidente aconteceu por uma sequência de acontecimentos. Na verdade, uma série de erros, cerca de seis ou sete. Caso um só deles não tivesse ocorrido, possivelmente a Gol teria alguns pontos percentuais a mais no mercado brasileiro, que é o que realmente importa aos Constantinos, mas isso é outra história. Enfim, eles simplesmente aconteceram e deu no que deu. Uma tragédia como essa, principalmente se levarmos em conta a causa, é razão suficiente para desconfiarmos que o inusitado acontece. O improvável está ali na esquina, à espreita. A questão é singela. Se pode acontecer na vida real (odeio esta expressão, afinal, não falo da vida na corte). Bem, vamos lá, se pode acontecer de verdade, por que não no cinema?
Pois uma série de fatos, verdadeiras tragédias, levam um menino favelado a ganhar em um jogo na TV uma quantia milionária. Se formos analisar fielmente, sem dúvida algo inverossímil, interna e externamente. Porém, se usarmos o mesmo rigor com o acidente, ele também seria inverossímel. Deixaria de ter acontecido por isso? Óbvio que não. Portanto, nada mais razoável do que o extraordinário exibindo-se em nossa frente, mostrando que há espaço para sonhar, com nosso consentimento.
"Quem quer ser um milionário?" não precisaria da "explicação" acima para ser aclamado como o grande vencedor do oscar, mas a produzi porque acredito que ele vai além de um bom filme.  Chega a ser quase um recado de que é possível cinema sem megaestrelas e milhões de dólares, que é possível mostrar o que há além do Taj Mahal de forma sincera sem nunca deixar o teor artístico em segundo plano. E uso o templo aqui somente como exemplo, uma referência.
A cena mais fantástica pode ser qualquer uma, tantas foram as possibilidades visuais ofertadas. A menina (linda, por sinal) parada na estação, a fuga inicial dos guardas, a resposta na opção que não foi soprada pelo apresentador, todas elas são de um conteúdo emocional e artístico incomparáveis. Claro que gosto de Douglas e De Niros, mas ver o rosto daquelas crianças indianas na telona também ajudou.
Afirmo. Esqueçam o inverossímil e tenham um excelente filme não hollywoodiano. Direto na lista dos Dez Melhores.
Poxa, novamente não falei sobre cinema. Talvez por que exceda e seja realmente algo além de um bom filme. Ou, e mais provável, por que viajo na maionese mesmo.
Viva as  inverossimilhanças.

O Leitor


Simplicidade. Isso é bom? Há anos escuto que sim. Muito bom, até.

No julgamento de uma participante da SS que escolhia e enviava 10 judias à morte cada mês, quando perguntada a razão para que tenha feito aquilo, explicou que não tinha lugar para todas as prisioneiras. Elas estavam sempre chegando e precisavam liberar espaço. Simples, muito simples. Problema criado, problema resolvido.
A explicação para o que aconteceu em uma igreja bombardeada que ficou em chamas, causando cerca de trezentas mortes por que a porta estava fechada por fora e não foi aberta, foi ainda mais óbvia. Eram soldados e a obrigação era não deixar os prisioneiros fugirem. Se abrissem a porta, evidentemente, sairiam em debandada. Função cumprida. Bons soldados, portanto. Simples, não? Mais um detalhe. Um professor de direito diz aos alunos "não existe errado, existe o que a lei condena".

O que é errado? Para quem é errado? Por que é errado?

Deixando moralismos e conformismos de lado, aqui mesmo, perto dos canibais brasileiros, na nossa (?) imensa amazônia, têm tribos indígenas que matam as crianças que nascem com defeito ou se o primeiro filho for menina. Isso é certo? Claro que saltaremos, eu, você, qualquer um que viva em um lugar que tenha uma televisão, com dedo em riste e diremos aos gritos que é errado, que é um absurdo, que é coisa de assassino. Errado para nós, portanto. Os indígenas que fazem isso, fazem por que faz parte de suas leis, seus costumes. Viram seus pais fazerem, que viram os seus e assim por diante. Alguma criança que por um infortúnio tenha escapado da morte, é tratada vida como um animal irracional, recebendo menos regalias que um macaquinho saltitante e sobrevivendo alguns dias de migalhas à margem de toda a sociedade. Certamente morrem de fome ainda crianças, sob a vista de todos. Relatam alguns poucos casos desses e são suficientes para que nenhum pai queira isso. Quem não sacrifica os defeituosos além de mau pai é um criminoso, sujeito a punição. Portanto, certo para eles. O mesmo fato que pode ser monstruoso para alguns é dever para outros. Fazer é crime aqui, não fazer é crime ali.

Detalhe. Nossa magnífica Funai, que existe para proteger os indígenas, sabe disso, obviamente, e nada faz. Afinal, proteger a "cultura" e os costumes das tribos faz parte de suas obrigações. Simples. Nossas autoridades, nossos tribunais, nosso governo, todos sabem e, gostem ou não, também nada fazem, pois tal preservação é um "direito" garantido em lei. Enfim, eu sei, nós sabemos, e as meninas índias continuam sendo assassinadas.

Falei de um caso real e de um fictício (Do filme O Leitor. Kate deixou de ser atriz e tornou-se uma rude alemã, em um filme que entra definitivamente para a história do cinema e na minha lista dos Dez Melhores com honrarias) para explicar a mim mesmo a razão de meu destemperado choro. Outro hora falo do filme, por enquanto, pretendo apenas desinchar os olhos.

Quer saber? Não vou conseguir. Sou cúmplice de muitas coisas ruins. Todo pranto ainda é pouco.

Simples assim.

O curioso caso de Benjamin Button


Um amigo disse a seguinte frase, de sopetão, sem rodeios: "se falar mal do Benjamin no teu blog dou um laço no teu filho, já que contigo não posso". Tem juízo.
Fui ao cinema. Iria de qualquer maneira por causa das treze indicações. Na verdade, iria sem indicação alguma. Mas, depois da frase, fui correndo e curioso. Pois lá no escurinho sedutor, lembrei do conto em que ele foi baseado, dos 150 milhões de dólares gastos e da ameaça. Começa o bem feito filme e o tempo parece não ser a tônica. A fotografia é lindíssima e a atuação do feioso do Brad Pitt é excelente. Na verdade, todo o elenco tem bom desempenho. A linha temporal do é feita de maneira inteligente e fácil. Isso deu um charme especial à obra, até por ser um detalhe essencial para a boa compreensão. Outro destaque é a maquiagem. Primeiríssima qualidade, como a ambientação de época. O longa é, sem dúvida, bem feito. Muito bem feito. Algo estranho, porém, aconteceu comigo. Acostumado a chorar inclusive ao ouvir uma música bela, fui preparado para o pranto e nada. Sacanagem, só dei uma choradinha muito da "muquirana". Parecia mais um cisco no olho, algo que sempre acontecia comigo quando era criança.
Teclando com uma amiga, literalmente professora de cinema, a Biba (Carpe Diem), ponderei que talvez fosse um filme que tocasse mais as mulheres, já que no cinema eram suspiros durante o filme - imagino a razão - e pranto no final, principalmente na ala feminina. E eu ali, durão, impávido, somente com o cisco incomodando. Isto é curioso. Me senti um robô.
Até pelas 13 indicações ao oscar, evidente que é um bom filme. Mas nem de longe entraria na minha lista dos dez melhores (aquela que só entra e nunca sai nenhum) e muito menos na de três (para entrar um, sai outro).
Não vou dizer que não gostei e nem que - ainda não vi os outros - não deva ganhar o oscar. Mas só não falarei isso para que meu menino não corra riscos. E também por que não sou bobo de contrariar professora no começo do ano.
Beto Wall-B, o robô, implacável, sem coração, sem lágrimas, mas com noção do perigo.

Sete vidas

Will Smith. Quem lê este nome na hora lembra de MIB I E II - Homens de preto, Eu sou a lenda, Eu, robô, Independence Day e outros tantos que, se ficaram devendo em matéria de cinema mesmo, certamente em adrenalina não. Os filmes dele quase sempre são aventuras bombásticas, tensas, rápidas, destas que não deixam a pessoa enconstada na poltrona por muito tempo. Cinema tem disso. Numa mesma sala que numa semana passa um suspense, na outra pode ser uma comédia. E essa é uma das causas de ser algo tão complexo. Uma arte que nos faz chorar, rir, suspirar, amar, odiar e, claro, ficar como se estivéssemos em uma montanha russa, o que acontece quando o ator é Will Smith, pelo menos até agora.
Pois em Sete vidas, essa minha teoria foi literamente por água abaixo. Cincoenta e cinco milhões de dólares para 118 minutos de uma chatice só. Desse tempo todo, 110 é aquele esqueminha besta de não mostrar o desenrolar da história e alguns clichês bárbaros e oito minutos de filme. Além de chato é inverossímil, pouco provável e, a surpresa que deveria ser revelada apenas no final, é sabida nos primeiros instantes. Durante a chatice, ainda flashbacks inoportunos acontecem seguidamente.
Saí do cinema pensando: 450 mil dólares o minuto. Tem algo errado nisso. Esta fortuna toda pra entediar o telespectador?
Como tenho minha lista dos 10 melhores, acabo de inaugurar a dos 10 piores filmes. Talvez ele não seja assim tão ruim como estou falando, e por eu ter criado a expectativa de ir ao cinema para me divertir, a decepção tenha sido maior, mas, sinceramente, reveja um clássico que será mais proveitoso. Recuso-me até a continuar falando a respeito. Hoje ainda comentei: que safra ruim essa, coroada agora, com essa bomba.
Sete vidas: blargh. Eu tenho uma só pra desperdiçar vendo filmes assim.

O menino do pijama listrado

Quando saí do cinema a primeira coisa que veio à cabeça foi: o melhor dos centroavantes é aquele que faz mais golos? O melhor dos médicos é aquele que salva mais vidas? O melhor do policiais é aquele que prende mais bandidos? E o melhor dos soldados é aquele que mata mais gente?
De novo aqueles filmes que não instigam a falar sobre cinema. Motivam a falar da nossa podridão, de nossa perversidade. O nome já dá bons indícios  sobre o que trata e em que época acontece. Bem, tentando não sair chutando as cadeiras, é uma história que acontece durante a segunda grande guerra perto de um campo de concentração, de extermínio.
Um oficial com uma vida tranqüila em Berlim é transferido para uma área rural para administrar tal campo. Lá, seu filho Bruno de oito anos, conhece um prisioneiro judeu, inimigo, portanto, da mesma idade. Ocorre que o menino não tem idéia do que realmente acontece e vários conflitos surgem da nova situação. A amizade com o pequeno prisioneiro, inevitável levando em conta a solidão dos dois, surge de uma maneira que traz esperanças. Vãs esperanças. O filme mostra a monstruosidade humana de uma maneira mais sutil que outras películas, quase escondido. Apenas perto do final temos indicações visuais e auditivas das atrocidades, mas o clima tenso, o cheiro de podre, nos acompanha o tempo todo.
Em apenas 93 minutos, esta produção inglesa e norte-americana, tem momentos que beiram a genealidade. Alguns diálogos, sempre curtos e diretos, mais fiel aos germânicos impossível, revelam as mazelas e os absurdos de uma guerra. De qualquer guerra. Não há mocinhos nisso. Só bandidos e vítimas. E o que também choca neste caso, é que os bandidos também se tornam vítimas. Da própria estupidez, da própria cegueira. Um café quente com bolo não pode valer mais que uma vida. Um vinho derramado em uma farda não pode ser motivo de castigo corporal.
Definitivamente este filme entra na minha lista dos dez melhores, com honras. Mesmo com o tema tão surrado, conseguiram ares de renovação. Contaram o horrível novamente de uma forma ainda mais cruel. Para todos, agora. Diferença substancial.
Chorei mais do que devia no cinema. O mais grave é que continuo chorando e, pelas próximas décadas, não vejo razões para parar as lágrimas. Elas são justificáveis e merecidas.
Soldados são condecorados quando matam inimigos. O detalhe é que tais inimigos têm filhos e são filhos, riem, choram, caminham e sonham. E tem como inimigos o outro soldado, que também têm filhos e são filhos, riem, choram...