Imaginem um casamento perfeito. Sem brigas, com companheirismo, cumplicidade e tudo mais. Um casamento mesmo, no sentido mais amplo da palavra. Uma relação baseada na simplicidade, na coerência e na objetividade, sustentada por diálogos assim:
- Vamos no futebol?
- Vamos! - Pronto. Somente isso. Ou:
- Quer ir pescar esse final de semana?
- Quero!
Ainda mais:
- Vamos naquele boteco que tem ovos cor-de-rosa pra tomar umas geladas?
- Claro!
E vou ainda mais longe:
- Que tal jogar uma peladinha?
- Perfeito.
Acreditem, isso é possível.
Uma convivência sem reclamações sobre o lugar certo das roupas sujas, sem ponderações sobre a tampa da privada e sem discursos de boas maneiras. Nada dessas coisas de papo cabeça ou de discutir a relação. A bem da verdade, discussões até seriam bem-vindas, desde que sobre futebol ou sobre o tamanho dos peitos daquela vizinha exibida.
- Viu os peitões? E sem sutiã, sem sutiã...
- Vi... Deviam proibir de tão gostosa...
É possível. Sei que parece ilusão, fantasia, sonho, enfim, mas é possível isso tudo, com uma única diferença da união convencional: homem tem que casar com homem.
Na hora do desejo, o diálogo seria inevitavelmente esse:
- To com vontade de transar...
- Eu também. Meninas de vida difícil, aí vamos nós. - E iriam. Juntos, inseparáveis, percorrendo o submundo excitante de uma noite cheia de sexo pago.
Acho que as únicas exigências para que tudo não virasse divórcio seriam a amizade, absolutamente indispensável, e a "macheza", mais indispensável ainda. Sabonete que caísse no chão por lá ficaria até derreter por completo. Um outro detalhe também muito importante seriam as camas. Separadas, claro, preferencialmente por alguns quilômetros. Com essas pequenas adaptações, o relacionamento ideal é possível.
E amplo. Façam esse exercício sob a ótica das "meninas" e vejam como é viável. Muita ginástica, creminhos e mais creminhos, papos cabeça, observações impublicáveis sobre o saradão da academia e tal, tudo em dupla. Cem por cento de sucesso. Talvez com aqueles detalhes como o das distâncias das camas também ajude.
Seria, então, assim: dois casamentos. Homem com homem e mulher com mulher. Mas morariam juntos, para o bem de todos e até para baratear, somente um homem e uma mulher. Pronto. Simples. E como ninguém é de ferro e dinheiro não dá em árvore, talvez fosse possível economizar em camas.
Claro! Isso mesmo. Perfeito!
Hei? Isso não tem outro nome?
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