Terça à noite



Já que ontem comparei comida com música, hoje não vou me permitir comparar um show com outro. Então, primeiro o que não foi bom: Na Ozzetti e Nei Lisboa não tinham 'liga'. Parece que estavam em espetáculos diferentes. Ele, na maioria das vezes que esteve sem violão, cantando com as mãos para trás ou até - pasmem - de braços cruzados e ela, tentando ser simpática, mas olhando somente em frente, em nenhum momento virou o rosto para olhar toda a platéia, não tiveram, digamos, uma boa performance corporal. A simpatia também não foi o ponto forte. Àquela relação quase libidinosa que rola em shows desse tipo com o público não aconteceu. Na verdade, relação nenhuma. O mais grave, imaginem um - sei lá - motorista profissional a 100km/h olhar para o caroneiro e perguntar: "Pra que serve mesmo o pedal do meio?" - Ou um médico antes da anestesia: "Vamos tirar o que?" Certamente nada disso seria aceitável. Ou seja, nenhum profissional tem o direito de esquecer seu trabalho quando está em plena função. Pois Na esqueceu a letra e não foi uma vez, nem duas e sim três vezes. Em umas no máximo 15 músicas. Isso quer dizer, 20% do que deveria cantar. Pior que os "brancos" são os aplausos da platéia. Queria vê-los aplaudirem o motorista desmemoriado. De ruim mesmo, só mais uma coisa: o músico que acompanhava Na não era profissional. Também ficou 'perdido' algumas vezes, além de mudar de tom sem razão ou mesmo sem ser intencional. Mais um detalhezinho: a segunda ou terceira música do show, a letra diz e repete algo como "este samba que fiz pra você" e não era um samba. Juro que não entendi.
Bom, provavelmente agora que já me vinguei no mau humor de Nei, vamos lá: o espetáculo mostrou praticamente todos os sucessos do nosso Lisboa com muita qualidade musical. O guitarrista era muito bom e o tecladista - a propósito, destruam todos os teclados do mundo e deixem somente os pianos - também e, claro, o chefe não decepcionou com o violão.
Na cantou músicas inéditas e lindas, além de melodias encarnadas por Carmem Miranda com maestria. A voz dela é algo que impressiona. Se estivesse melhor acompanhada, seria fantástico. A mulher é boa, indiscutivelmente. Basta esquecer a amnésia.
Bem, em um final de análise, eu diria que a vaca não foi pro brejo, mas ficou ali por perto, só pastando.
Imagino por que não comparei com ontem, mas não vou falar.

Um comentário:

angela disse...

Hahahah... Adorei essa análise. Apesar de ser fã do Nei, nunca havia assistido um show dele. Realmente ele parece assustar-se com o público, o que não diminui a sua qualidade musical. A Ná, por sua vez, parecia na boa (tranquila), mas foi traída pela memória - já que "brancos" andam lado a lado com a ansiedade.
O que me parece claro é que depois da 2ª feira, a 3ª ficaria, de qq forma, mais crítica.
Angela
Ps: Por sinal, acho que o nome do blog vai ter que ser ampliado...