A Vida Que Não Vivi


Pois é. Aí está a capa. Feita a partir da imagem criada por David Castanheira, um artista português, ficou - admito que estou "babando" - simplesmente maravilhosa. Tudo certo, no tamanho certo, transmitindo o que eu queria.
Vou reproduzir a orelha, escrita por Juarez Guedes Cruz, um excepcional escritor gaúcho, que também me deixou extremamente orgulhoso.
Haja coração!

"Um jovem escritor caminha rumo à editora onde assinará o contrato de publicação de seu primeiro livro. No tempo que transcorre entre ouvir um estampido e receber o impacto do projétil que estilhaçará sua cabeça, reconstitui a vida até aquele venturoso dia que, não sabe, é o seu último. Bem assim: num instante, em meio ao trânsito da grande cidade, morre mais um poeta vitimado por uma bala perdida. A poesia — sentimento e delicadeza — explodida pelo duro metal do não-pensamento. E é isso: Beto Canales, em suas narrativas, denuncia o que tantas vezes já foi chamado era do vazio: o tempo das relações superficiais, onde se impõem não sentir e não pensar. Essa estupidez nossa de cada dia, espaço reservado para o nada. Como emInsólita paixão’, onde durante todo o tempo o personagem não reconhece ser, ele próprio, a causa de seus males. Termina, no suicídio, atribuindo sua alienação ao ‘outro’.

Não é por acaso que o conto que dá título ao livro, inicia com a frase creio que estava sentado meio de lado e não vi a vida passar”. Soterrados por uma época onde ter é mais do que ser, o risco é passarmos a existência perdendo oportunidades, lembrando, só na hora da morte, o que se deixou de usufruir.

Muito já se falou no artista como ‘antena da raça’. O autor de ‘A vida que não vivi’ merece essa denominação: captou e nos retrata a tragédia moderna de criar, todo santo dia, uma sinistra oportunidade para a destruição da alma. Talvez a redenção se encontre na personagem de ‘Paloma’: sua vida não está à venda, apenas seu corpo. É muito tocante a imagem dessa mulher — Bartleby redivivo — que consegue recusar a aparência.

No final da leitura, só podemos agradecer a Beto Canales: bom não teres vivido essas vidas. Excelente o fato de pensares, teres te mantido íntegro e em condições de elaborar os contos deste livro. Oxalá sejamos merecedores de tal oferenda."


16 comentários:

Jana Lauxen disse...

Beto!!!
Quase chorei aqui!
A capa ficou simplesmente incrível.
Linda, linda, linda!
E Juarez Guedes Cruz não exagerou nada quando disse 'No final da leitura, só podemos agradecer a Beto Canales: bom não teres vivido essas vidas'.
Tô mega orgulhosa de ti!

Abração!
;)

Afobório. disse...

hahaha, betão, muito massa essa capa, bah, que maravilha.
velho, eu desejo muita sorte com o livro cara, de boa mesmo.
bah, tu merece, o trechinho que eu li, eu amei.
e de boa, blogosfera, no poder. por que enquanto você escreve, o mundo responde.PORRA!

sorte, luz e sangue, sempre.

Mai disse...

Oi, Beto,

acho que tudo está perfeito.
O melhor é que Você gostou.
Minha opinião é que a arte da capa é síntese da obra.
Para mim a capa é sugestiva e eu me senti como estimulada a abrir um alaúde e me imaginar em um diálogo com o personagem.

Estou feliz com a sua alegria. Sucesso, Beto.

Ricardo Valente disse...

Bah! Coisa séria a gente não conhecer e também ando desatento como nunca. Num outro post teu achei que estavas doente... Que bom, Beto. Coisa linda ficou essa capa mesmo. Vamos conferir o conteúdo sim!
Abraço e sucesso!

Laura Peixoto disse...

Puxa... de tirar o fôlego!
Parabéns, parabéns!
Pode babar, uivar, gemer em cima.
Goza.
Tá dez!
Vou postar na 2ªf no blog.
Abraço!

Paulo Eduardo disse...

Grande Beto, fiquei curioso para ler a obra.
Parabéns e sucesso.

Abraço

Bem pouco mais sobre mim... disse...

Parabéns...
Parabéns...
Parabéns...

Eu quero ler!

Beijo!

glória disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
glória disse...

Beto, tô aqui sacodida por tanta boniteza densa, intensa! gente, esse prefácio é um itinerário literário, dos que não sentem o menor incômodo em se mover por becos, por tranversais das avenidas dos críticos "de sucesso". Belo! Parabéns. Por favor, deixa no meu blog o nome do livro, editora e tudo mais, que vou devorá-lo. Parabéns!!!

glória disse...

Beto, tô aqui sacodida por tanta boniteza densa, intensa! gente, esse prefácio é um itinerário literário, dos que não sentem o menor incômodo em se mover por becos, por tranversais das avenidas dos críticos "de sucesso". Belo! Parabéns. Por favor, deixa no meu blog o nome do livro, editora e tudo mais, que vou devorá-lo. Parabéns!!!

glória disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maverick disse...

ue estes comentarios estao meio avariados nao?
Ja postei mas nao apareceu.
Bem segue uma versao resumida.
Beto amigão, gostei de ver livro seu ai, vou ler e comprar fervorosamente ate porque todos temos vidas nao vividas que gostamos de visitar... talvez encontre a portas de muitas minhas pelas suas... Sobre a capa, não gosto pronto, ja disse... nao gosto lamento :-S
Reconheço que deve haver alguma linha condutora ou mesmo subentendida, caso contrario nao haveria tao admiravel publico agradado, tenho pena de nao chegar lá:-S

Meu amigo fica bem, desejo o maior do mundo para voce.

Uma nota final. Quando li a primeira vez o titulo deu-me a sensação de plagio :-D acho que voce percebeu neh amigao...
Beijo pra ela
Abraço para ti

Silvares disse...

Fico à espera.
:-)
Está muito bom!

.Dazinha. disse...

Lindissima a capa e a orelha, uma complementa a outra, que delicia!!!
espero que esteja se sentindo muito feliz e realizado.

:*

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Josué de Oliveira disse...

Putz, caraca, a galera da Multifoco acerta sempre nas capas.

E nos autores, óbvio.

Estarei lá amanhã, óbvio, doido pra ler seus contos. Megaabraço!