Cálculo infernal

Li uma notícia assustadora. Na verdade, mais estranha do que assustadora: acontece um suicídio a cada quarenta segundos no planeta. Ou seja, o tempo que levarei para chegar ao ponto final desta frase, é o suficiente para que alguém se mate, estatisticamente falando. Pronto, menos um.
Considero isso extramamente misterioso porque desafia o maior instinto que nós, animais, temos, que é o da preservação. Nosso organismo e mente estão programados para defender nossa vida e não para acabar com ela. Isso é fácil de perceber em sentimentos como o medo, que nos salva de poucas e boas, e o paladar, que nos tempos em que catávamos frutinhas pelas estepes, nos poupava de plantas venenosas. Ou seja, pode-se concluir que o ato de exterminar a própria vida vai de encontro a nossa própria natureza. É mais ou menos, grosseiramente falando, como comer sempre o que não se gosta ou fazer absolutamente tudo que nos dá medo, mas nada parecido com algum esporte radical, e sim semelhante a desafiar um traficante armado ou fazer turismo no Iraque, por exemplo.
Se levarmos em conta as afirmações acima, não há lógica alguma no suicídio. E, se falta este "atestado matemático" ou "permissão científica" para que ele aconteça, não é difícil afirmar que a coisa é relativa ao espírito, algo passeando na fronteira do sobrenatural, ou, ainda, porque não dizer, divino.
E aí entra meu susto, ou medo. Se algo tão inato e danoso vence nossos próprios instintos - que é o básico para darmos dignidade ao rótulo de animais, premissa para nos mantermos vivos - sem nenhuma comprovação física, ou racional, digamos, não estamos a mercê de algo muito perigoso?
É sabido que fazemos coisas instintivas que colocam em dúvida a própria civilidade, que usamos de artifícios inacreditáveis para, por exemplo, protegermos nossas crias, que somos capazes de ações e reações agressivas e complexas sem nenhum planejamento, isso tudo para proteger nossas (nem interessando se boas ou más) vidas, provando, assim, que este "dom" animal é muito mais forte que todo o resto, vencendo, sem dificuldades, conceitos, regras, dogmas e, mesmo assim, com toda esta força e grandeza, é superado sem constrangimentos por uma multidão diária de suicidas. Baseado nisso, vou além: não é somente assustador. É um péssimo indício.
Até por uma questão lógica, a descrença que caracteriza um ateu é ampla. Ou seja, de maneira direta, se o sujeito não crê em deus, é óbvio que o mesmo aconteça com o diabo. Alguém que faça juízo calcado somente em fatos, não aceitaria explicações paranormais para nada. "Mostre matematicamente e estará trilhando um caminho de entendimento com um ateu". Pois assim, por um uso simples de evidências, justifico meu susto: se for para perder a incredulidade, creio ser mais sensato crer no diabo. Analisando essa "automatança" friamente, com os dados expostos acima, é mais fácil perceber que existe uma força maléfica superior, maior que nossos próprios instintos, do que uma força boazinha, que usaria esses mesmos instintos para ajudar o próximo. Afinal, não fazemos isso, não somos solidários. Também é de nossa constituição. Por exemplo, não doamos alimentos se estivermos famintos. Nem se estivermos empanturrados. Somos assim, somos a imensa maioria. Somos a humanidade. Somos humanos.
É alarmante. Fosse eu um religioso, usaria a expressão mais dita e necessária para crentes que conheço: "Deus nos acuda!"
Fosse ateu, não diria nada, além de:
- Mais uma cerveja, por favor!


6 comentários:

Anônimo disse...

é triste...

Silvana Nunes .'. disse...

Navegando pela grande rede sem rumo com a intenção de divulgar o meu blog, cheguei até você e gostei do que vi, tanto que pretendo voltar mais vezes.
No momento estou impedida de fazer leituras muito extensas, pois a claridade da tela do computador está prejudicando um pouco a minha visão, devo tomar cuidado. Em breve resolverei esse problema. Bem, já que estou aqui aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Eu como professora e pesquisadora acredito num mundo melhor através do exercício da leitura, da reflexão e enquanto eu existir, vou lutar para que os meus ideiais não se percam. Pois o maior bem que podemos deixar para os nossos filhos é o afeto e uma boa educação. Isso faz com que ela acredite na própria capacidade, seja feliz e tenha um preparo melhor para lidar com as dificuldades da vida. Nós professores temos a faca e o queijo na mão, temos conteúdo para isso. Dá trabalho sim, mas nada paga a sensação do dever cumprido, faz bem para a alma. VAMOS TODOS JUNTOS PELA EDUCAÇÃO NA LUTA POR UM MUNDO MELHOR ! SIM, NÓS PODEMOS.
Se gostar da minha proposta, siga-me.
Peço que ao responder deixar sempre o link do blog, pois às vezes a mensagem entram com o link desabilitado ou como anônimo. Por causa disso fico sem ter como responder as pessoas.Os meus comentários também entram via e-mail, pois nem sempre a minha conexão me permite abrir as páginas: moro dentro de um pedacinho da Mata Atlântica, creio que mais alto que as antenas, com isso a minha dificuldade de sinal do 3G. Espero que entenda quando não puder responder. Os únicos sons que escuto aqui é o dos pássaros, grilos, micos., caipora, saci pererê, a pisadeira, matintapereira ... e outras personagens que vivem pela mata.
Por hoje fico por aqui, Espero nos tornarmos bons amigos.
Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre.
Saudações Florestais !

Silvares disse...

Olha Beto, manda vir outra aí, para mim. Fresquinha, se faz favor. Obrigado.

Difundir disse...

Olá,

Estamos montando um cadastro de blogs relevantes segmentados por assunto.
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Abraço,
Sergio
blogs@difundir.com.br
www.difundir.com.br

Leandro Fonseca disse...

eu não gostei da sua visão sobre os ateus. E os suicídas são as pessoas mais corajosas que existem no mundo.

Ricardo Valente disse...

- Mais uma cerveja, por favor!
Abração!