Ratzinger, o dezesseis


Eu tento não comentar a respeito da Igreja Católica (e todas as outras), mas o Bento não deixa. É impressionante. A última provocação aconteceu nessa visita à Inglaterra, logo depois de mais um escândalo com os padrecos pedófilos belgas, que novamente foram acobertados pela instituição.
O correto seria Bento e seus comparsas ficarem escondidinhos em seus palácios revestidos em ouro, pensando em alguma forma de corrigir o erro, de coibir que aconteça novamente, de desculparem-se, mas, ao invés disso, aqueles senhores todos de cabeças brancas e vestidos de seda vão à Escócia falar asneiras.
Bento comparou, sem deixar dúvida alguma, os ateus com os fundamentalistas religiosos. Ou seja, ele comparou o cara que sua igreja queimava na fogueira por não acreditar em seu deus com o maníaco que o condenava à morte. Outro exemplo, ele comparou Sartre com os caras que detonaram o coração do capitalismo no fatídico onze de setembro. Mais um: me comparou com um terrorista suicida que explode gente em uma lanchonete. Poderia enumerar centenas de exemplos, mas, convenhamos, é desnecessário. Já foi possível elucidar o tamanho da besteira que o "cara de mau" disse.
Tempos atrás, a religião matava e humilhava em nome de deus. Atualmente, em uma análise bastante superficial e pensando em um espaço temporal de cerca de uma década, "apenas" rouba, explora e subjuga. Se levarmos em conta somente os tipos de malefícios, podemos considerar que houve uma sensível melhora neste comportamento. O que agora anda me deixando assustado é a tendência da volta ao passado. As igrejas e seus credos estão novamente começando a assassinar. Seja jogando aviões em prédios ou condenando o uso de preservativos em um continente à beira de uma epidemia de aids, seja estuprando crianças que quando tornam-se adultas cometem suícídio (somente neste último caso europeu foram 14 mortes) ou levando crentes à miséria financeira e psicológica.
É assustador. É como se fosse um monstro que cresce a cada dia com o único propósito de de fazer o que é ruim. Infelizmente essa afirmação aterrorizante é verdadeira: religião faz mal. E muito. Por vezes escuto histórias de pessoas que se recuperaram através de alguma delas. Claro que é verdade, sem dúvida. Não é disso que falo. É evidente que existirão alguns casos bons que serão alardeados aos quatro cantos, como qualquer bom departamento de marketing faria. O que falo é do resultado final. É do produto de tudo isso. A religião destruirá nossa civilização, ou pelo menos como a conhecemos, se não contivermos esses caras. Os assassinatos não serão mais com facas de lâminas curvas ou fogueiras. 
Temo por aqueles que tem uma espiritualidade mais a flor da pele. Temo, na verdade, por todos nós.


4 comentários:

Salete Cardozo Cochinsky disse...

Digo:
Gostei do texto, concordo com esse nem tão superficial posicionamento. São fatos que veem sendo desvelados através dos meios de comunicação e a partir das denúncias feitas por quem, "infelizmente" entende não tem mais nada a perder em função do lugar que aqueles que deviam apenas ser ouvidos e palavras de estímulo para uma vida digna a partir das direções a tomar, decidem por exporem-se. Ato mais do que digno de coragem ao desmitificarem Instituições que fazem tão mal.
"Existem para pregar a culpa" e com isso muitas doenças emocionais.
Comprovo isso diariamente em minha clínica.
Instituições religiosas são fachadas.
Obrigada pela visita. Gostei dos conteúdos de que tratas em teu blog.
Um abraço

Silvares disse...

Aqui em Portugal está ao rubro um grande julgamento por pedofilia envolvendo figuras públicas. O que me deixa a pensar é que esses, sendo leigos, vão bater com os ossos na prisão (espera-se) e os padres, pedófilos confessos, são mudados de paróquia, vão pregar para outra freguesia. Não há direito. Padres pedófilos para a prisão, já! Não pode haver outra justiça para eles, deus, aqui, não manda nada!

Jorge Carlet disse...

As religiões são tão perigosas que deveria ter acesso liberado a elas apenas aos adultos.
Para além disso, os tais prepostos de Deus encontráveis (ops) em todas elas estão cada vez mais endiabrados hehehe.
Outro dia, numa entrevista, Edir Macedo falou que adoraria atuar no Oriente Médio. Talvez devesse cravar sua sede em Jerusalém, afinal, para uma cidade já fatiada em três pedaços delirantes, o que custaria ter mais um? Além do mais ajudaria a torná-la mais obscura do que já é.

the dear Zé disse...

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