Fracassos e medos



É dito que não temos medo do que não conhecemos. Se não tivermos, portanto, dados armazenados sobre o motivo - seja ele qual for - que desencadearia tal medo, ele simplesmente não existirá. Apesar de concordar, acho isso estranho e pouco provável. Sei que parece incoerente minha opinião, mas mesmo assim acredito que seja razoável.
Sabe-se que somos o que somos em razão do medo. Se chegamos até aqui, devemos boa parte desta verdadeira aventura épica a esse sentimento controverso. Sem eles, nossos ancestrais teriam todos sido comidos pelos dinossauros ou caído de árvores em dias de vento forte. Aquilo que é motivo para sermos acusados de covardia, nada mais é, na maioria das vezes, do que juízo.
A razão de minha estranheza é simples. Existem pessoas que possuem fobia de viagens, por exemplo, por que conhecerão novos lugares. Ou seja, eles tem medo de uma cidade que não conhecem. Claro que implica em admitir que a "forma" cidade é conhecida e tal, mas, a rigor, ele não conhece aquela específica, o objeto da viagem, e sente medo. Resumindo: medo do desconhecido. Então discordo, na verdade, da forma taxativa como esta "regra" é exposta. Como tudo, não é bem assim. Sempre tem um "senão" que dá margem à discussão. Ainda bem.
O que pretendo abordar realmente não são os medos propriamente ditos, mas o receio ao fracasso. Existem pessoas, escritores, artistas, atletas, que certamente seriam muito mais produtivos e completos, se não pensassem já na primeira pincelada na tela nua, na galeria de arte; ou no primeiro parágrafo, na noite de autógrafos ou ainda no primeiro treino ver-se em um estádio lotado.
Esta prática é um dos fatores mais excludentes que existe. Muita coisa boa deixou de aparecer em razão dela. Mas, na prática, fazer o que? Enfrentar de peito aberto? Assumir a possibilidade de um lançamento literário somente com a família em volta? Suportar o peso do insucesso? Existem centenas de exemplos que determinam ser exatamente este o caminho. O começo é sempre um risco. O maior problema é acontecer algo assim quando não é o princípio. Aí o caso pode ser outro, como falta de qualidade no trabalho. Mas, em estréias, toda a culpa - em caso de fracasso - são externas. A desculpa já está pronta. A resposta já está dada mesmo antes da pergunta.
O melhor mesmo para os iniciantes é não temer. Mas, se isso for inevitável, sem problemas. Toda a sociedade trabalha contra e, caso haja algum insucesso, a culpa será dos outros. Entretanto, se você não for um marinheiro de primeira viagem, cuide-se, tenha medo, e trabalhe melhor. Reescreva, não poupe em pinceladas e treine muito.
Medo, afinal, não é coisa de "mariquinhas". É coisa de quem tem juízo.
E ajuda.


2 comentários:

Onofre disse...

Mariquinhas.... hahahaha

Jorge Carlet disse...

A assertiva só não vale para a Regina Duarte hehehe.