Tetro e os críticos


Críticos. Caso algum dia eu me portar como um, por favor, me avisem. Mas deem a notícia devagar, com cautela, pois correrei risco de morte. A decepção seria enorme e o suicídio inevitável.
O culpado disso tudo é Tetro, do velho e sempre bom Francis Ford Coppola, que assina a produção e roteiro, além da direção. Trata-se de uma obra espetacular, bem filmada, bem interpretada, com um roteiro impecável e uma direção extremamente cuidadosa. O preto e branco das cenas que acontecem no presente ficam perfeitas, tão boa é a fotografia. Cenas em cores que trazem informações importantes do passado, compõem um mosaico, que enriquece a história a cada instante. Pois aí que entra minha observação: o filme começa bom, em um ritmo calmo, quase sossegado. Conforme os fatos vão acontecendo e as informações do passado são reveladas, há uma explosão no ritmo. O filme torna-se imperativo. Rápido. E ainda melhor.
Minha "indignação" foi ler um crítico (diz que) de cinema aqui do Sul, funcionário do maior jornal em circulação, a Zero Hora, e responsável por um programa de televisão sobre cinema  em um dos canais do grupo, que afirmou categoricamente que o "Coppola se perde no final".
Fui ai cinema depois de ler a crítica. Quando as mais de duas horas de filme já haviam quase se esgotado, fiquei ansioso esperando a "perdida" e nada dela acontecer. Na verdade, o filme que é ótimo torna-se espetacular exatamente pelo final. Ele realmente termina. A história tem fim. 
Fiquei analisando os motivos para tanto disparate. O mais provável é que nosso querido crítico não tenha entendido o final. Pode ser. Seria mais instrutivo e honesto que ele admitisse isso, mas, não à toa, escreve em um jornal de tamanha circulação: sempre sabe-se tudo, nestes casos. Outra possibilidade, também mais que razoável, é essa nova onda de que textos, livros, contos, peças, filmes, enfim, não precisam ter final.
Observem, há uma nova "moda" entre os "intelectuais" (repararam nas aspas, não é?) que defendem isso de maneira disfarçada. Algo como "pegar" um conto, cortar o começo e o final ao melhor estilo Anton Tchekhov, e pronto. 
Duas pequenas observações: é válido? É, claro que é. Fica bom? Em uma grande parte das vezes, fica, principalmente nos textos do russo. Mas o que não segue esta forma é ruim? Não, claro que não. Resumindo: por ter final, não significa que houve erro ou algo assim, apesar de não estar na onda, de ser démodé.
Particularmente, eu gosto do que tem fim, pronto. Terminou. Horas, dias, semanas depois, a lembrança dele ainda preenche nossos pensamentos.
Gosto dos dois estilos. Coppola é um gênio, entre outros motivos, por saber finalizar. Palmas para ele.
Fim.

2 comentários:

Onofre Dias disse...

Lerina, não?

Jorge Carlet disse...

É...essa coisa de démodé deveria estar fora de moda! Ops...
Falando sério, excluir paradigmas na arte é sempre algo complicado; é reduzir possiblidades. Definitivamente isso não me agrada. Menos ainda quando serve de escudo a certos críticos.