Caixinhas, Panos de Prato e o Casamento

Tudo o que eu queria era uma caixinha, pequena, simples, onde pudesse colocar as pilhas usadas antes de descartá-las em algum lugar seguro que receba esse lixo perigosíssimo.  Além disso, saberia quais seriam as usadas (as que estariam dentro da caixinha) e teria um livre e feliz acesso às novas, deixando todos os controles remotos felizes e ativos.
Mas, quase todos sabem, ou melhor, todos os que já não são solteiros, o casamento não é algo simples. Ter direito a usar uma caixinha não é uma barbada como peidar deitado. Mesmo que seja para o bem da família e da humanidade, existem certas normas e impeditivos que tornam o meu desejo quase inalcançável.



Acho que em matéria de dificuldade, o uso de caixinhas só perde para os panos de prato.Para algum feliz solteiro entender o que falo, vamos ao esclarecimento: ao casar, uma quantidade enorme de coisas muda radicalmente. Começa-se uma vida a dois quase sempre em um lugar que só cabe um, e com todas as implicações que isso naturalmente leva. Alguns direitos, poucos, é verdade, são ganhos e muitos perdidos. Algumas regras são instituídas automaticamente e elas passam a gerenciar nossas vidas. Como por exemplo, a lei dos panos de prato. Funciona assim: 
Artigo primeiro: todo e qualquer pano de prato é propriedade exclusiva da parte feminina do casal. 
Artigo segundo: caso você ganhe algum pano de prato de sua mãe, com os dizeres "Saudades meu filhão querido" bordado com linha roxa, ele passa imediatamente a pertencer à parte feminina assim que sua mãe virar as costas.
Artigo terceiro: se você, algum dia, inadvertidamente, usar algum pano sem autorização é falta grave. Se usar e sujar, gravíssima. Se a sujeira for de gordura, sujeito à pena capital.
Artigo quarto: qualquer dúvida ou situações não previstas, devem ser resolvidas pela parte feminina.
E assim é para todos os outros detalhes de uma vida a dois: regras e mais regras.
Mas, voltando às caixinhas, as normas são um pouco confusas. Especificamente lá em casa, onde a olhos verdes até curso de caixinhas fez, e tem algo em torno de 473, contando só as vazias.
Por que não posso usar? Por que não posso ajudar a poluir menos nosso tão maltratado planeta? Por que não posso organizar nossas pilhas?
Nenhuma das respostas constam em qualquer norma. Eu não estaria infringindo nenhuma regra. Mas, então, por quê? Por quê? POR QUÊ?
Depois de décadas de casamento e de análise isenta dos fatos, descobri o motivo: ciúmes!
Isso mesmo, você leu certo: ci-ú-mes - ponto de exclamação!
Um cara como eu, que ando sempre as voltas com a Maitê e prestes a entrar em contato com a Juliette Binoche, e ela com ciúmes das caixinhas.
Dá pra entender?
Dá.
A Maitê está no Rio. A Juliette em Paris. E as caixinhas estão lá em casa.
Acho que o segredo do casamento está no poder da compreensão.
Bingo!



4 comentários:

Eduardo P.L disse...

Ótimo, como tantos outros anteriores. É recente? Não tem data. Anda sumido. Tudo bem? Gostaria de enviar o meu livro que ficou pronto, finalmente! De sinal de vida, e para onde devo enviar.

Silvares disse...

http://www.youtube.com/watch?v=EZyWgALEP8U

Beto Canales disse...

Genial silvares...

Silvares disse...

É um grupo que tem tido uma certa projecção nacional e internacional. São aqui da minha cidade, sou amigo do guitarrista, aquele gajo muito comprido que toca guitarra portuguesa como se não houvesse amanhã.