Rede de mentiras e mais mentiras

Vamos admitir o óbvio: os gringos - e quando escrevo isso me refiro aos ianques, os filhos do tio (gosto muito dessa referência: filhos do tio - Sam - por que já evidencia o engodo, a falácia) - são bons principalmente em quatro coisas. A primeira: sanduíches. Duvido que existam no mundo lanchonetes que misturem pepino, pão, carne e golesma tendo como resultado o sabor de um Big Mac. Ou pão preto, queijo e cebola e fique parecido com um Cheddar. Os caras são imbatíveis. Seja no Mc Donalds ou Burger King ou qualquer outro. O farroupilha, sanduíche originário aqui do sul do Brasil, que me perdoe, mas é sem comparação.
A segunda coisa é guerra. Eles são ótimos em produzir uma matança aqui, outra ali. Ora por que o cara produzia armas de destruição em massa (eles por certo não tem nenhuma), ou por que estão atrás de alguém, ou por que a gasolina está cara. Enfim, criem-se motivos e movimentem a economia com uma guerrinha amiga. Claro que quem morre nelas são os pobres, negros e latinos, mas isso é outra história. Dá pra chamar de guerra também a ação menos explícita, tipo: forneçam armas para o Saddam lutar contra os Aiatolás. Depois, tirem as armas dele. Mais tarde ainda: enforquem o cara.  Essas intervenções, que desde meados do século passado eles fizeram em diversas nações do mundo, inclusive aqui, mataram mais civis que muitos conflitos declarados. 
O terceiro item é cinema. O belo cinema. Os caras são bons nisso também. Falo depois de ver Rede de Mentiras. Um filme de ação muito bem feito que parece ser proibido respirar. Leonardo DiCaprio tem uma atuação memorável. Daquelas que pode-se dizer: convenceu. Russell Crowe também. Pacífico na performance, envelhecido e bom. O enredo é próprio para ação, ou seja, mocinho contra bandido em cenas frenéticas. A fotografia é ótima e os 128 minutos passam rápido. Ridley Scott, de Blade Runner, é muito feliz e não poderia ser diferente. É um ótimo diretor.
A quarta "habilidade" dos ianques estraga o filme: paralelos. Chega a irritar. Funciona assim: o agente da cia no Iraque ou Jordânia, tanto faz, em meio aquele deserto todo, enfrenta os bandidos mulçumanos sem coração. As cenas de violência são a tônica de tudo. No começo do filme, aparece uma invasão de um prédio pela milicada com o leiteiro entregando seu produto ao mesmo tempo, mostrando que aquilo é normal, inevitável e provável, que a violência é parte do oriente médio. O pau correndo solto por lá e o chefe dele, em conversas intermináveis, resolvia todos os problemas e achava como salvar o mundo do próprio território americano, enquanto levava seu filhinho ao colégio ou a uma partida de beisebol, ou ainda num belo campo florido frente a um lago calmo e belo. Tudo muito seguro e pacífico. O resumo é que nós, cristãos-judeus somos o bem e merecemos isso e os mulçumanos a escória, também por merecimento.
Cinema não é para isso. Cinema deve vender ingressos, não opiniões nem idéias. Cinema é arte, não panfleto.
Os filhos do tio parecem saber tanto de caráter e respeito como sabem que a capital do Brasil é Buenos Aires.
Blargh!

21 comentários:

Cami disse...

POr isso que os chamo de FILHOS DA PUTA!

E odeio os americanos.

Bjão!

Extase disse...

Primeiro, ianques são a parte norte do estado unidos, eu os chamo de estadounidenses.

Seus comentarios são ferozes, mas dertesto os sandubas deles, prefiro memso o chimarrão com açai, maldição, vive em novo hamburgo quando criança e moro desde adolescencia em belem....

mas acho que arte não é partidario memso, apesar de desde que arte é arte é uma forma de fazer apologias.

Abraços.

Zailda disse...

O maniqueísmo dos filmes americanos é copiado pelas novelas globais, sem a mesma qualidade. Apreciadora de filmes americanos desde a infância, admiro os filmes do Almodóvar porque não têm esse ingrediente detestável, nem os clichês que permitem que você saiba de antemão tudo o que vai acontecer no filme desde a primeira cena.
A fantasia não imita a realidade, como se viu comparando Nova York sitiada com a situação real em 11 de setembro. Os americanos nos filmes só faltam voar, exceto em Matrix, onde voam mesmo. Inteligentes, mocinhos totais, só falta o cavalo branco. Irritante isso.

Luiz Calcagno disse...

Ritmo de documentário. Dava pra ler em voz alta em um desenho animado de palitinhos onde o personagem principal encena suas observações acumulando equipamentos. Tipo: sanduiche, bazooca, capacete de soldado, filmadora e bandeira da argentina. Abraço

Silvares disse...

1º ainda não vi esse filme mas tenho muita vontade de ver.
2º estou de acordo com essa história das sanduíches. Sacanas de ianques de um raio!
3º Blade Runner é um filme de ver e chorar por mais, mas o amigo Ridley já assinou alguns filmes de merda.
4º Sinceramente não sabia que Buenos Aires é a capital do Brasil. É que esse nome soa meio espanhol, não é mêmo?

Beto Canales disse...

e o pior que o bush pai, em visita a terra brasilis, fez este 'comentário'... não é fácil, Silvares...

Beto Canales disse...

e o pior que o bush pai, em visita a terra brasilis, fez este 'comentário'... não é fácil, Silvares...

Letícia disse...

Beto,

Você começa falando em sanduíche e termina falando em arte panfletária. Eu sempre achei que o Tio Sam fosse o Willie Wonka, mas percebi que não. Eu assisto filmes americanos porque gosto de muitos filmes americanos. Assim como gosto de muitos filmes europeus (Ingleses, melhor dizer). Não vou ao cinema porque o DiCaprio vai estar lá vendendo pose de herói ou agüentar que me entupam com essa imagem de "o país das oportunidades" e da vida plena. Eu vou ao cinema em busca das imagens e das histórias. Puro entretenimento. Mas, vez ou outra, me acho estúpida assistindo gente querendo me dizer que as cores da roupa do homem aranha são apenas decorativas.

E li seu texto no 3 am. Te mandei um e-mail.

Beijos.

É prosa poética, Beto? =)

Cara de 30 disse...

Pra quem gosta de filmes de ação, este é uma ótima pedida. Fui ver meio descrente mas percebi que havia me equivocado. Gostei.

Com relação à sua ira... Bem, muitos pensam assim. Eu acho que todos os governantes deles têm pensado assim: matem negros, latinos e pobres! Acho que o povo mesmo não tem muita consciência do mal que eles fazem ao mundo. Eles são egocentristas e, com isso, só olham para suas próprias barriguinhas.

Hoje eles têm olhado mais ao redor... Quer dizer, agora, que eles tão se fudendo com essa crise que assola o país deles e vai se alatrando por todo o mundo, a possibilidade de eles olharem pro lado aumenta... Ou não. Vai saber?!

Mas que os sanduíches do Burger King são os melhores, não tenho dúvida! :)

Beto Canales disse...

putz... melhor nem falarmos das sobremesas...

Beto Canales disse...

putz... melhor nem falarmos das sobremesas...

Luiz Gonzaga disse...

Sempre tem alguém pra governar o mundo. Já foram os Romanos, os Ingleses, os Franceses...
Agora são os USA.
Mas um dia, quando a economia mundial for baseada em bunda e futebol, será a vez do Brasil.

Quanto aos filmes de ação. Perdí a fé neles desde o virus "matrix".
Mas ainda adoro os épicos.

abç

Germano Xavier disse...

Mais um para a lista de filmes das "férias"...

Abraço, Beto.
Continuemos...

Flávia disse...

eu assisti ao filme essa semana, mas, na minha humilde opinião, nem a ótima atuação de Di Caprio e Crowe salva o fime do que considerei o "gato por lebre" do ano em termos cinematográficos. Violência demais e estória de menos são a tônica.

Beijos!

Ricardo Valente disse...

Boa tarde! Passei aqui para te dar os parabéns, principalmente pelo que li, lá no 3AM (se não me engano é esse o nome). Achei fenomenal! O teu blog? Muito bom!Aos poucos vou lendo, ok? Abraço!

Desarranjo Sintético disse...

Bom, concordo contigo! Também não vou com a lata dos estadunidenses. Argh!
Acho que o cinama pode sim mostrar opiniões, só não deveria vender essas opiniões mesquinhas deles, que não servem para nada a não ser para promover eles mesmos, pura panfletagem, como você mesmo disse.

Abraços.
Fábio.

Desarranjo Sintético disse...

Bah, adorei a expressão "filhos do tio", passarei a utilizá-la. Ahahah.

Abraços.
Fábio.

afobório disse...

realmente concordo com todos os itens.


sorte e luz.

Adriano Queiroz disse...

Beto, concordo com duas e meia.
Lanches são bons pq são ruins.
E o Cinema americano de hollywood é o pior ou um dos piores do mundo.
Entrar num cinema comercial hj pra assistir qqr filme é quase garantir a perda do dinheiro. Infelizmente.
O cinema francês anda em queda tb. É uma pena.

Abraços.

felipe lima disse...

ainda gosto das histórias mais sentimentais.

Jana disse...

Por isso não sou lá muito chegada em filmes sobre guerras e terrorismo produzido pelos sobrinhos do Tio Sam.
São tendenciosos.
Existe o mal e o bem, o mocinho e o bandido, a esquerda e a direita, tudo muito explicadinho.
Até parece.
Ainda prefiro Bollywood.
Ié, ié.

Beijoca Beto