Confusão 2

Lei é lei. Quando as coisas estão ruins, o que acontece? Tchan, tchan, tchan, pioram. Basta haver uma única possibilidade em milhões para que isso aconteça e será suficiente. Coisas da vida.
O problema - que otimismo meu em usar o singular - é o efeito dominó. O ruim empurra e fica pior que dá uma forcinha ao insustentável que leva, finalmente, ao caos. Tudo isso é rápido e só vemos, ou não vemos, quando chegamos lá. Porém - já existe a teoria - o excesso de qualquer coisa gera o contrário e estou ficando convencido de que é verdade. Será mesmo possível ou, além de tudo, estou perdendo o discernimento? Vejamos. O excesso de tristeza gera felicidade? O de amor gera ódio? Interessante. Curioso. Em termos práticos isso é realmente aceitável?
Espero que a saraivada de perguntas aí de cima tenham, ao menos, uma resposta. Eu já estaria satisfeito com ela, fosse qual fosse. E digo isso pelo fato de não acreditar que a tenha. Elas são coisas tão abstratas como honestidade em nossos conturbados e globalizados dias. Roubar não é mais errado. Só será se descobrirem. Maltratar, explorar, humilhar fazem parte das diversões de nossa época. É institucional este tipo de coisa. A lei de vários países admite de forma clara. A distinção de sexo, raça e credo são comuns e regra. Um policial alfandegário manda de volta um turista se ele não apresentar um cartão de crédito. Há vagas especiais para quem tem determinada cor. Existem partes separadas em cemitérios para os que acreditam que a "salvação" ainda não chegou e outras se ela já chegou - e não adiantou muito, talvez. Aqui por estas terras de castelos escondidos, empresta-se dinheiro para gigantes multinacionais e latifundiários a fundo perdido e não se faz isso com a pequena empresa que gera 70% da mão de obra. Vota-se para o comando dos poderes os mesmos de sempre, com seus eternos macetes e fortunas cada vez maiores, enquanto seus currais-estados ficam cada vez mais pobres. Globalizados, destroem palacetes e os acusam de estarem cobertos de mármores, enquanto qualquer tribunal ou shopping ostenta pedras lustradas e lindas, e pisam em tapetes feitos pelos miseráveis onde exterminaram ou se apropriaram das mansões. E do óleo.
O excesso dessas injustiças nos trará o contrário? 
Esse dinheiro todo que os governos estão doando - assim mesmo - aos bancos, seguradoras e mega-empresas que sempre refutaram intervenções destes mesmos governos, será revertido no benefício de alguma pessoa comum? Ou, quando eles embolsarem estas fortunas todas continuarão especulando mundo afora, quebrando países e matando gente de fome com nosso próprio dinheiro? Requinte! Precisamos mesmo comer escargô e os franceses côco? É sensato exportarmos soja aos chineses e comprarmos trigo dos argentinos?
Toda essa confusão resultará em tempos calmos?
Enfim uma resposta: NÃO. 
Lei é lei. Minha necessidade de crer em algo foi para o espaço. Naturalmente.




11 comentários:

Ricardo Valente disse...

Muito bem, Beto... estamos per(fo)didos. O excesso de tudo - na minha opinião - não traz o contrário, mas gera insatisfação e mudança, nem sepre para melhor. Abraços!

Denise disse...

O Collor acaba de receber muito, muito poder. Acho que responde os questionamentos.

glória disse...

e o mais grave é que cabamos banalizando tudo isso. estranha-se quando alguém é honesto e preza a palavras emepnhada, cumpre pactos...mas, eu ainda tateio a esperança. homens e mulheres de boa vontade, banhados de sentimento de dignidade insurgem-se em espaços múltiplos de micro-poderes. eu creio! abraços

Luiz Calcagno disse...

Só para dar um empurrãozinho, a dívida ativa mundial passa dos três trilhões de dólares. É grana que não acaba mais. É miséria. Mas, por outro lado, nosso braço não vai cair, não é mesmo?

Abraços

Éverton Vidal disse...

Acho que todo excesso é prejudicial, até o de equilíbrio.

E tá tudo um caos mesmo. Aliás, o existir humano sempre foi caótico mesmo, às vezes menos. A existência é uma guerra só. E a gente vai vivendo às vezes perdendo a capacidade de crer em algo, mas a necessidade... aí eu duvido rsrsrs.

Belo texto.
Abraço.
Inté!

Biba disse...

Beto, o Carpe Diem hoje parece estar funcionando normalmente. Consegui até fazer um post.
Gostei do texto. Gosto quando você se revolta, se indigna e coloca isso de forma tão apropriada.
Beijo
Carpe Diem!!!

Letícia disse...

Uma saraivada de tapa na cara, mas ainda estamos aqui, Beto. Não tenho resposta alguma. Eu tenho mais perguntas e as leis exitem, o mundo poderia ser bonitinho e o bem comum poderia existir. Mas não existe. E já fiquei angustiada e tento manter a fé. Ainda.

Afobório. disse...

hahahahaha, beto, eu sou seufã cara.
aliás, ultimamente os teus contos andam melhores do que sempre foram.
sua qualidade e disposicão para escrever são surpreendentes.

sorte e luz.

Cara de 30 disse...

Cara, tô numa semana dessas. O buraco parece não ter fundo e você vai descendo cada vez mais, pensando que ali é o fundo. Mas não é! Chato isso...

Ahn... Aproveita que tem mais uma homenagem pra você lá no meu espaço. Sou teu fã, né?! Então eu te repasso esses selos todos que recebo... hehehehe... :)

Paulo disse...

Prezado Beto,

Quando mensuramos tudo que está acontecendo fica difícil crer em mudanças que tragam melhoras, "Lei é lei", mas depende de quem é responsável pela sua aplicação.
O que é lamentável é a intenção e o caráter dos indivíduos que detém poder em todas as esferas. Infelizmente o modelo social existente é o do salve-se quem puder, o do legislar em causa própria....
porém temos que ter "fé", rsrsrs

Parabéns pelo texto.

Felipe Lima disse...

Naturalmente.