As pessoas confundem as coisas. E eu, como não sou uma ameba (embora, às vezes, me porte como uma), também confundo. Então, aos esclarecimentos, já que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Depois da polêmica na recusa de algumas empresas de ônibus de Porto Alegre em divulgar uma campanha de ateus, muito bem bolada, por sinal, recebi um mail questionando minha posição. Sou ateu convicto, sabe-se, e não gosto de religião. Seja ela qual for. Na minha humilde opinião, todas elas, sem exceções, fazem mais mal do que bem. Nossa maltratada civilização seria bem mais desenvolvida e viveria com muito mais paz se elas não existissem. Mas, convenhamos, elas existem e vieram para ficar. Fazer o quê? Nada. Essa é a questão. Eu não acredito em deuses, em nenhum deles, e não pretendo convencer ninguém para desacreditar também. Na página da ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, em uma sessão de perguntas e respostas, tem uma passagem interessante. A pergunta é "o que prega o ateísmo?" "Nada", diz a resposta. Eu uso esse exemplo para simplificar o que chamaria de respeito.
Minha posição tem a mesma forma e a mesma consistência que a de um crente. Eu tenho o mesmo direito que o mais ardoroso beato. Entretanto, seguidamente vejo estampados anúncios coloridos em favor dessa ou daquela crença. Propaganda de festas para santos, reuniões e espetáculos para aqueles que creem e tantas outras manifestações, inclusive de programas de TV em horário nobre. Bem, se partirmos da questão básica que trata de direitos iguais para todos, se eles podem "propagandear" seus feitos e seus herois, por que eu não posso divulgar que não acredito em nada disso?
Sabendo-se que a intenção da maioria desses anúncios é aumentar o "rebanho" (e também as doações, em alguns casos), não seria ainda mais grave, comparando com a intenção dos ateus, que não é de convencer ninguém, nem pregar nada?
Mas, em verdade vos digo, o mail que recebi não era sobre isso, e sim sobre Jesus. Perguntava como eu podia desacreditar na existência dele. Aí o engano. É claro que o sujeito que nós chamamos de Jesus existiu. Isso é um fato historicamente comprovado. Evidente que as façanhas a ele atribuídas não ocorreram conforme ditam os livros de "convencimento" coletivos, mas, algumas passagens de sua vida realmente fazem parte da nossa história. Melhor nem transpor para os dias de hoje, como exemplo, um sujeito tendo um ataque de fúria agredindo camelôs. Ou as verdadeiras "viagens" proferidas a cada discurso, e, pior ainda, o complexo de grandeza evidente em dezenas de ações e falas.
Mas, deixa eu esclarecer de uma vez por todas, que é a minha intenção desde o começo: Jesus existiu e foi uma "figura" muito peculiar, que nos dias de hoje apodreceria em um manicômio como "louco varrido". O dito pai dele, o fictício, o irreal (não o que transou com a Maria), não existiu, não existe e não existirá.
Então, independente de crenças ou opiniões, desejo a todos um feliz natal, da mesma forma que desejaria também um feliz dia no índio ou dia da árvore.
E nenhum raio caiu sobre minha cabeça!
Já que é assim, feliz 2011 também.


