Panfletos, fora!

Alguns temas exigem uma posição a favor ou contra. Fale-se, por exemplo, em pena capital. Um tanto será favorável e outro não. É praticamente nulo o percentual dos indecisos.
Creio que esse fato aconteça no ocidente por posições políticas. Se analisarmos friamente, veremos que a ampla maioria das nações fica entre esquerda e direita em praticamente todas as eleições, sobrando pouco ou quase nada para o centro. É assim nas Américas e na Europa, lugares onde certamente nascem as tendências para grande parte do planeta e, talvez por isso, algumas personalidades também exijam posição a seu respeito, assim como a pena de morte.
Ernesto Guevara, médico e guerrilheiro por vocação, por exemplo. Ninguém passa por esse verdadeiro mito, sem marchar nas fileiras dos simpatizantes, que praticamente o tornam um deus, ou no rol dos contrários, aqueles que o classificam simplesmente como assassino ou mercenário.
Pois em Che, el Argentino, não poderia ser diferente. Trinta milhões de verdinhas e 126 minutos para mostrar a história, desde a saída de barco do México com meia dúzia de guerrilheiros até o dia da chegada em Havana, foram o suficiente para a confecção de um enorme panfleto.
Esse tipo de coisa, independente da minha posição política, se a favor ou não, criticarei sempre. O cinema não pode ser usado para vender algo que não seja a si próprio, que não seja arte. Um filme pode mostrar somente qualidades de alguém, sem ser planfetário. O que claramente não acontece nesse caso.
Além disso, a história não passará de um filme de quase guerra meio chato, para quem não conhece pelo menos um pouco da vida de Fulgêncio Batista e Fidel Castro. Ele se baseia em fatos da revolução Cubana para o desenrolar da trama, somente com citações, sem mostrá-los. Isso não chega a ser um defeito, já que não podemos condenar os idealizadores do filme pela ignorância (no sentido exato da palavra que é de desconhecer algo) dos possíveis espectadores, mas incomoda um pouco.
De resto, ele é bem filmado e muito bem editado. Gosto de filmes que intercalam "tempos" e cortam seguidamente a história sem que se perca a linha da ação.
Geralmente  admiro as obras dirigidas por Steven Soderbergh (A série 11, 12 e 13 Homens e um Segredo, Erin Brockovich, etc) e, na verdade, tirando os "detalhes" explicitados acima, também gostei do Che.
Rodrigo Santoro como Raul, irmão de Fidel, tem uma participação pequena o suficiente para que não seja analisada. Demián Bichir, que interpreta o ditador, deixa a desejar principalmente no início do filme. Tentou fazer um Castro ativo e nervoso demais, com gestos e movimentos "imprecisos", deixando o personagem sem nenhum carisma, o que difere da realidade.
Mas, claro, tem um motivo nobre o suficiente para que se vá correndo aos cinemas (quase sempre tem um): Benício del Toro. Uma das melhores interpretações que vi nos últimos anos. Ele está simplesmente fantástico, beirando a perfeição. Imperdível.
Quem não foi ainda e gosta de cinema e interpretações inesquecíveis, pipoca e escurinho, sem dúvida. Quem já foi, basta esperar a segunda parte, já filmada, para continuar vendo Benício, el porto-riquenho.

Perdi minha virgindade

Ontem fiz uma descoberta sensacional, assustadora. Sabem essas pessoas que escrevem em blogs, essas mesmas que às vezes nos divertem, outras aborrecem e outras ainda nos deixam pensativos ou excitados? Gente que só conhecemos pelas letras e algumas idéias ou gostos? Pois elas existem, de verdade. Têm cheiros, vozes, cabelos e carnes. Bebem, respiram e ficam nervosas. São como todos. O que tento dizer é que ontem perdi minha virgindade. Conheci pessoalmente uma amiga virtual. E devo dizer: foi muiiito bom. A primeira vez a gente nunca esquece, agora sei disso.
Descobri que é sensacional por que isso abre um leque inimaginável de oportunidades. Nos permite atalhos para onde queremos chegar. E assustador, por que me dei conta que atrás de cada texto, cada letrinha postada nesse infinito mundo da internet tem uma pessoa. Nossa!
Bem, falando especificamente da minha experiência, foi gostosa, surpreendente e me deixou de queixo caído. Mas tudo levava a isso, o clima, o lugar, a expectativa. Cheguei naquele ambiente escuro, sedutor, e lá estava ela em sua loirice, sentada frente a uma garrafa de cerveja. Só podia terminar da forma que acabou. A mistura de álcool, mulher bonita, milhões de coisas a serem ditas, outras tantas a serem ouvidas, teria que ter mesmo só um resultado, o mais óbvio, que é, claro, vocês sabem, preciso mesmo dizer? Pois vou dizer e com todas as letras. O resultado de tudo isso é Literatura.
Explico. É que numa promoção da Revista do Beco e Jornal Vaia, leia-se Carol Teixeira, linda e interessante como sempre, aconteceu o "Porão da Palavra", um sarau literário com presença de gente graúda do meio literário aqui do sul do país e, tchan, tchan, tchan, entre os grandões minha amiga até então somente virtual, Jana Lauxen, com seu imperdível livro Uma carta por Benjamin.
Valeu a pena minha virgindade ter ido para o espaço. Jana é fantástica, linda, carinhosa, acolhedora e ainda mais inteligente do que já parece. Vê-la enfrentar uma platéia de notáveis lendo seu texto com um sotaque único, lado a lado com o monstruoso nervosismo, e tirar de letra foi muito legal. Um verdadeiro prêmio.
Conclusão: tudo imperdível, o Porão do Beco, o Sarau, a Carol, a Jana e, principalmente, o livro. Então, mãos à obra, invistam uns poucos pilas e levem um pedaço dessa menina fantástica para casa. 
Vale a pena.


Justiça e vontades

Na verdade, o que eu queria mesmo era escrever sobre a discussão de alto nível do supremo*. Gostaria de dar meu apoio ao Joaquim Barbosa por ter afrontado o coronel da justiça, o Paladino do judiciário, o homem que solta o Dantas e quase todos os endinheirados, Gilmar Mendes. Teria muito gosto em acrescentar alguns adjetivos, sem gaguejar, na xingação. Nossa, eu teria uma lista enorme, até por que esse Mendes (melhor pôr um vossa excelência na frente), até por que a vossa excelência do Mendes, está realmente destruindo a credibilidade (se é que ainda tem alguma) do judiciário brasileiro.
É certo que estamos em um país onde a justiça é cega para os pobres e de olhos bem abertos para os ricos. É também certo que a corrupção nessa esfera é tão grande quanto nos outros poderes, seja com venda de sentenças ou emprego de parentes. É certo que o ego é maior que o senso de justiça, principalmente nesses senhores que aparecem mais que a Xuxa na televisão e, na verdade, sequer rosto eles deveriam de ter. O trabalho desses empregados de um dos poderes, deveria ser anônimo, técnico, sem nenhuma exposição.
Mas, sabemos, não é isso que acontece. 
Achei interessante que o Barbosa disse: "Vá à rua" e o Vossa Excelência respondeu "Eu estou na rua". Essa é a noção, o conhecimento, a experiência que ele tem. Quando este senhor caminhou em um mercado público? Comeu um pastel em uma lanchonete? Vagou por ruas lotadas? Transitou entre camelôs? Pisou em um cocô de cachorro? Subiu algum morro? Esse senhor não vai à rua. E, se for, ela engole ele. Isso mesmo, feio assim: ela engole ele.
Afinal, o Vossa Excelência não pertence às ruas, ao povo, ao cidadão honesto. Ele pertence àquele sorriso falso, forçado, debochado. Ele pertence ao Dantas, aos tapetes persas, às falcatruas. Ele pertence ao seu ego, aos caprichos, ao autoritarismo. Ele pertence a sua vaidade e suas injustiças.
Provavelmente se fosse engolido pelas ruas, seria vomitado logo depois.
Por isso, mesmo querendo, não vou escrever sobre isso.
É muito nojento.
E tenho medo dos capangas.

* Aos leitores além mar: Houve um bate-boca entre dois ministros (um o presidente) na mais alta corte do judiciário brasileiro, como fossem dois moleques.

A vida que não vivi

Pois é.
Estou de contrato assinado, carimbado em cartório e tudo, com a Editora Multifoco. E um senhor contrato, verdadeiramente excepcional, de dar inveja a escritores experientes, onde eu entro com meus textos e muito empenho e eles com o resto. Devo ressaltar que esta editora merece os parabéns, não só por dar oportunidade a novos escritores, mas também por acreditar em um mercado "saudável", onde lobo não come lobo, onde não haja somente Paulos Coelhos. O livro deve sair em julho ou agosto e está praticamente pronto, em fase de "retoques".

Li esses dias no blog de um amigo, que publicar "não é o fim do sonho, mas apenas o começo", e concordo plenamente. De nada adianta tudo isso para deixar meu livro parado, sem vender, empoeirando em alguma prateleira. Quero ser lido, criticado, xingado ou, sabe-se lá, até admirado por algum leitor malucão. Enfim, quero que minhas histórias sejam vividas e minhas personagens saltem das páginas e sentem no sofá da sala. No melhor lugar.

Este texto não foi sobre cinema e muito menos sobre bobagens, e tive uma dificuldade imensa em fazê-lo, mas sempre que houver alguma novidade, farei isso novamente. Afinal, preciso e quero divulgar "A vida que não vivi".

Presságio

Tem coisas no cinema realmente que não entendo.
Por que um ator que em início de carreira é capaz de abdicar de um sobrenome famoso (Coppola) e sobreviver somente pelo seu talento, que é saudado em todo o meio como um dos melhores do mundo, que é reconhecido pelo esforço e dedicação (dizem que já engoliu uma barata viva em cena), que teve uma das melhores interpretações da história do cinema em Despedida em Las vegas, que ganhou oscar de melhor ator, que tem inúmeros excelentes diretores sempre o convidando para trabalhar, faz filmes como Presságio?
No trabalho anterior, Perigo em Bangkok, já fiquei contrariado. Um bom elenco e um bom diretor em um filme ruim. Coisas do acaso, pensei. Mas agora é demais. Presságio é uma mistura de terror, suspense e filme de "fim de mundo" com o final mais patético que vi até hoje. É verdade que existem alguns bons efeitos especiais, mas não o salva da ruindade.
Começa até bem. Há cincoenta anos, quando enterram uma capsula com alguns desenhos de crianças dentro, para ser explorada nos dias atuais. Pois uma menina coloca uma série de números que, sabe-se depois pela descoberta de nosso herói, tratam da data e a localização de desastres, além da quantidade de vítimas. Bem, aí a coisa toma outra dimensão. Aparecem no filme os tais 'seres sussurrantes', sempre com capotes escuros, seguindo o filho de Cage e a neta da menina dos números. Várias cenas desordenadas e sem função alguma acontecem até o grande desfecho: o apocalipse. Com data marcada e revelado na tal lista. Os seres sussurrantes nada mais são que extra-terrestres que vem buscar o casal de crianças para dar continuidade a nossa valorosa raça. Claro que só salvam horas antes do fim de tudo e sabe-se lá por que ficam feito zumbis o tempo todo. Nem imagino também a razão das revelações através dos números.
Agora o pior. Depois das cenas de destruição da terra, o grande final: o casal de crianças, com roupas claras, provavelmente de linho, é deixado em um planeta com um ambiente amarelado, aquecido, limpo, e ficam sobre o que parece ser um trigal de onde saem correndo em direção a uma árvore única. Ou seja, Adão e Eva.
Definitivamente na minha lista dos Dez Piores Filmes. Eu tenho paciência para essas coisas? Não, não tenho, mesmo com alguém como o Nicolas Cage por perto.
Mas a questão continua sem resposta. Qual a razão dele fazer um filme desses? Dinheiro? (O orçamento foi de 50.000.000 de verdinhas) Creio que não. Tem pessoas que tem mesmo adoração pelo trash cultural. Eu até curto algumas coisas, muito de leve e tal. Mas fazer parte, sei não. O cara tem que ter aquilo roxo, como diria o Collor, e o Nicolas tem. É a única razão que encontro. Ele é dado a essa excentricidade.
Olha que legal: falei em trash e lembrei do Collorido.
Mas, enfim, poupem o dinheiro do ingresso.


Decisões

Qualquer coisa que possa nos acontecer, acordarmos inchados, decorados por bolinhas rosas pelo corpo todo, os olhos lacrimejantes ou com uma enorme dor de cabeça, sempre tem alguém para decretar taxativamente: alergia.
E o inevitável diálogo.
- O que tu comeste ontem?
- Camarão.
- Bingo! Aí está a causa.
- Mas eu como camarão há 50 anos ...
- Uma hora ela começa, qualquer hora. Alergia é assim mesmo.
Poderia ser outra coisa, como pimenta ou peixe. Mas na ordem da rigorosa lista das alergias, famosa e incontestável, camarão ocupa solenemente o primeiro lugar.
Caso na outra semana apareçam os mesmos sintomas e a vítima não tenha comido o delicioso bichinho cheio de pernas, sem problemas:
- Sem camarão ontem? Hummmm... o que foi na janta?
- Sanduíche de queijo minas e pão preto.
- Só?
- Só.
- Tem certeza?
- Claro. Só pão, queijo e uma pimentinha...
- Áhhhhh, eu sabia...
Resolvido também. Na falta de camarão, serve a pimenta. E não acaba aí. Se não tiver nenhum dos dois, poderia ser qualquer outra coisa. A lista é infinita. Uma questão intrigante: e se o inchado e cheio de bolinhas estivesse de jejum?
 Pois seria assim:
- Jejum? Não comeu nada mesmo?
- Só água.
- Água?
- Mineral, fervida, filtrada e sem gás.
- Nem um caldinho de feijão?
- Nada. Passei o dia embaixo de uma árvore meditando sobre a transcendência divina...
- Árvore, que árvore?
- Arueira.
- E tu disse boa noite quando chegou embaixo dela?
- Não, até por que era de dia....
- Rááá... Quanta ingenuidade.
Pois é isso mesmo. Se a lista não puder explicar pelo estômago, explica pelo sobrenatural. Se alguém chegar em baixo de uma árvore dessas e não dar bom dia ou boa noite ao contrário, bingo novamente, alergias na certa.
Sabem qual a conclusão de tudo isso? Não existe um padrão, uma regra, uma causa. Tudo pode ser motivo, qualquer coisa. Se o cara que comeu o camarão, por exemplo, comer novamente e não tiver alergia alguma, certamente ouviremos um "assim como começa, termina". Isso é simplesmente sensacional e me levou a uma resolução de ano novo em abril: eu mesmo vou escolher minhas alergias. 
Isso mesmo. A partir de hoje, elas serão criadas por mim e mais ninguém. Farei minha própria lista: abobrinha, chuchu e chocolate hidrogenado já estão lá. Cerveja quente, vinho sem rolha e uisque criança (no mínimo adolescente ele tem que ser) também estarão.
Nem acabei de escrever ainda e tomei um cafezinho descafeinado, e já começaram a aparecer bolinhas amarelas. Vai para a lista. E vou ampliá-la para o caso de jejum (se bem que ficar sem comer também me deixa todo inchado) e colocar político ladrão (isso não é redundância?), gente prepotente e livro de auto-ajuda.
Perfeito. Gostei disso. Vou parar por que textos longos sem necessidade me dão uma vermelhidão cutânea impressionante, e ainda começo a torcra sa lteras.

Época de ensaio

Quando eles vierem, ou me chamarem, se eu ainda estiver vendo algo, vou abaixar a cabeça e olhar para o chão. Nunca encarar esta gente é vital à sobrevivência. Existem outras regras fundamentais como, sempre que possível, acumular algum alimento não perecível - pode ser até barras de cereal, para as horas mais difíceis, principalmente quando bate a angústia. Nunca retrucar, ou discutir. Tem-se sempre que concordar, mas de maneira firme. O melhor é não demonstrar medo ou algo que pareça medo. Nem ódio ou simpatia. O melhor é não demonstrar nenhum tipo de sentimento e ficar o mais quieto possível. Não demonstrar qualquer mania também é essencial. Caso tenha alguma, melhor esconder. Mesma coisa com as fraquezas. Da vida particular, quanto menos souberem, menos pior. Nunca conte sobre bens ou posses. Luxos, caso tenha algum, esconda a qualquer custo. Não delate amigos ou conhecidos. Não abra a boca sobre contas bancárias e, se for no exterior então, perca a língua se for preciso, mas não fale. Esta demora em acontecer algo deve ser parte do processo. Quase se vai à loucura e nada novo. Sempre os mesmos sons e os movimentos repetidos. Isso vai minando a resistência, aumentando a ansiedade, vai me enfraquecendo. Tenho que permanecer ereto, viril e forte. Tenho que treinar a respiração. Não posso ofegar, nem transpirar, nem olhar furtivo para os lados. Eles não podem ver meus olhos. Tenho que parecer - além de ser - humilde. Somente ser, caso eles não percebam, de nada adianta. Sei que estou nas mãos deles. Que eles podem terminar com a minha vida, com o meu sossego. Sei que podem tomar o que levei anos para construir. Mas tenho que mostrar dignidade. Tenho que ter honra e, se tudo der errado, que seja com glória. Aliado à demora, esse lugar frio, impessoal, quase todo de pedra e escuro, é seguramente nocivo à integridade psíquica de qualquer um. Não estou mais resistindo. Tenho medo de enlouquecer, de cometer algum ato insano. - Plimplom - De novo o som. Deixa eu ver: 527- D mesa 36 - F. Sou eu, o 527- D, tenho que ser rápido: a mesa 36 está lá, mas aquela é a G, a minha é F. - Plimpom - Esperem, não posso perder minha vez. Vou logo, deve ser ao lado - às pressas mesmo, quase sem preparo.
- CIC, por favor.
Eu sabia, não trouxe o CIC e não lembro o número. Mas lembro meu nome, 527 - D, não, não é isso, meu nome é Beto Canales.
- Boa tarde. Não trouxe meu CIC e esqueci o número. Mas vocês que me chamaram aqui: dependentes, pagamentos, malha fina, essas coisas, e meu nome é Beto Canales, então...
- Desculpe senhor, sem o CIC não posso ajudá-lo.
Plimplom - 528 - D.
E eu fiquei ali, parado, olhando meu irmão mais velho, o 528, que já chegou com o cartão do CIC em mãos. A experiência vale muito.
Preciso ensaiar mais, muito mais, para enfrentar essa gente.

Equilíbrio e dietas milagrosas



Bem, polêmicas à parte, nada melhor do que falar daquilo que se tem conhecimento de causa. Dietas.

Já fiz muitas. Inúmeras. Por exemplo, fiz a Dieta da Abobrinha, muito simples e não muito eficaz. Funciona da seguinte forma: come-se de tudo, menos abobrinha. A dos líquidos, certamente a melhor de todas, também nada complicada, e consiste em somente beber por determinado período. Eu fiquei uma semana só tomando cerveja e não lembro se emagreci ou não. Fiz também a da gordura, excelente de se fazer, e consiste basicamente em comer gordura animal, bacon, picanha, essas coisas. Engordei. Mesmo assim, andei pensando em fazer ela novamente, associada com a dos líquidos, algo como cerveja e carne gorda já, mas desisti por um motivo bastante singelo.

Coisas inconstantes. Esse é o problema, a falta de sequência. Devo parecer um nutricionista - por sinal, notaram como a maioria delas são gordinhas? - falando, mas o 'x' da questão está aí. Esse negócio de diferentes dietas, mudança radical no tipo de alimentos, diferentes associações, é claro que não daria certo.

E vou mais longe (de carro, claro): isso serve para muitas coisas e não só dietas. Exemplos? Pois não. Gentileza. Claro que é importante um ato dessa natureza. Mas de pouco adianta o sujeito ser gentil na rua e um estúpido em casa.

Tenho que parar com essas coisa de exemplo. Quer um? Pois todos os que foram dados aqui são completamente desnecessários para o que quero dizer, que é "precisamos ser mais constantes". Precisamos começar as coisas e terminá-las. Precisamos ser gentis com quem amamos e com todos os outros, inclusive aquele desgraçado filho de uma égua que corta a frente no trânsito, ou o imbecil com jeito de mafioso que fura a fila ou ainda aquela escória que liga o som - sempre em uma música horrorosa - a um volume suficiente para que não haja um surdo sequer. Temos que parar de nos 'apartar'. Somos farinha do mesmo saco no mesmo saco. Queiramos ou não, só temos aqui mesmo para vivermos e irmos levando. Então, sejamos plenos, cavalheiros, educados, até que um dia os bobalhões se deem conta e tornem-se gentis também. Isso seria ótimo e realmente creio que depende de serenidade e constância.

Voltando às dietas, resolvi fazer uma permanente. Para sempre. Constantemente. Para servir de exemplo para mim mesmo. Será o primeiro passo de uma longa caminhada. A redenção. A forma de eu mostrar que serei um eterno gentil.

Claro, como não sou de ferro e nem bobo, só vou dar um tempo nas horas das refeições. Fora esses minutinhos, dieta para sempre.

Poxa, sou perseverante mesmo.

Mas é assim que acontece em tudo: somos sempre gentil, exceto nas horas que perdemos as estribeiras.

Eu, pelo menos, estou de dieta eterna.