
Algum tempo atrás, inclusive para provar que não sou exagerado, comecei uma lista das 5000 coisas que odeio. Claro, terei que fazer algo sucinto, mas vou conseguir. Para não ficar uma leitura chata, resolvi fazer o rol a cada dez itens, sempre que algo originar, incitar. Ou seja, algum acontecimento qualquer tem que desencadear meu ódio, o que, convenhamos, não é muito difícil. Ou não era.
Pois por isso estou aqui, agora, escrevendo. Não está dando certo. Já me incomodei, fui cortado no trânsito, pisei em cocô de gato, o Inácio avisou que vai ser presidente da Petrobrás, o energúmeno deputado da vez disse que estava pouco se lixando e nada. Não fiquei odiando ninguém. Se bem que o senhor excelentíssimo representante do povo pegou pesado, mas, na verdade, senti pena. É um infeliz que vai morrer sozinho e apodrecer junto a tantos outros. Todo o dinheiro trazido indevidamente pelo poder ou pela corrupção não tem a força de um só prazer trazido pela honestidade. E pena de nós, também, afinal, continuamos elegendo pessoas desse nível. Já estou resignado. Não tenho mais raiva, tenho dó. Mas e minha lista? Pois continuarei mesmo assim, sem meus já saudosos acessos de fúria:
21- cinema com lugar marcado
22- refrão repetido mais de três vezes
23- hinos
24- bandeiras
25- fronteiras
26- call center
27- ditadores
28- novelas
29- mondongo
30- pessoas que falam cuspindo.
Que mistura!
Chego a me ver no cinema - com alguém ao lado cuspindo e falando sobre mondongo - para ver um filme que mais pareceria uma novela, sobre a vida de um ditador, que começou como atendente de call center, lutando com sua bandeira em punho para aumentar as fronteiras do seu miserável país e cantando dezenas de vezes somente o refrão de seu hino, que falava de morte. Não poderia ser diferente. Isso é um pesadelo.
31- pesadelos.
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